Autoridade tópica sempre foi um conceito meio abstrato no SEO. Um novo estudo acaba de lhe dar números: analisando 1.094 categorias de mercado, mais de 50 mil marcas e 600 mil citações no ChatGPT entre janeiro e junho de 2026, a Semrush descobriu que apenas 15,2% das categorias têm um “dono” claro nas respostas de IA. Todo o resto está em disputa.
A análise, publicada por Kevin Indig na Growth Memo e detalhada pelo Search Engine Land, traz a estatística mais importante do semestre para quem trabalha com GEO: 89,3% da demanda estimada de busca com IA está em categorias sem dono definido. Em outras palavras, a corrida ainda está aberta, mas quem largar na frente tende a ficar lá.
Neste artigo, destrinchamos os achados do estudo e o que fazer, na prática, para ocupar esse território antes dos concorrentes.
O que o estudo mediu
Os dados vêm do AI Visibility Index da Semrush, que rastreia 126 milhões de prompts em 22 indústrias. Para o recorte de autoridade tópica, a régua foi rigorosa: uma marca só é considerada “dona” de uma categoria quando aparece em pelo menos 4 de cada 5 prompts relevantes, com vantagem mínima de 5 pontos percentuais sobre a segunda colocada.

Com essa régua, só 15,2% das 1.094 categorias têm dono; 53,7% são campo completamente aberto, sem nenhuma marca dominante. E o dado que deveria tirar o sono de qualquer líder de marketing: nas comparações mês a mês, os donos claros mantêm a liderança em 90,4% dos casos. A autoridade em IA tem inércia, quem consolida posição agora cria uma vantagem difícil de reverter.
Menção vale mais que citação
Um achado contraintuitivo do estudo é a relação entre menções de marca e citações de fontes. A correlação entre ser citado como fonte (link) e ser mencionado como marca na resposta é levemente negativa (-0,229). Ou seja: aparecer como referência bibliográfica não garante que a IA recomende a sua marca. São dois jogos diferentes, e o segundo é o que gera negócio, como já mostramos ao explicar como medir a visibilidade da marca na busca com IA.
Outro número que muda o planejamento de conteúdo: homepages representam só 4% das páginas citadas pelas IAs. Quem recebe citação são páginas profundas, guias, comparativos, estudos e documentação. Isso reforça a lógica de clusters de conteúdo que aplicamos desde o planejamento de SEO para 2026: cobertura completa do tema, não páginas institucionais bonitas.
Como ocupar uma categoria sem dono
O estudo de Indig complementa uma pesquisa de comportamento anterior da própria Growth Memo: 74% dos usuários escolhem o item que aparece em primeiro na resposta da IA e 64% não clicam em nada. A recomendação da IA é, cada vez mais, a decisão. A tabela abaixo organiza os achados e as ações práticas correspondentes.
| Achado do estudo | Implicação prática |
|---|---|
| 89,3% da demanda em categorias sem dono | Priorize categorias abertas do seu mercado antes que um concorrente consolide posição |
| Donos mantêm liderança em 90,4% dos meses | Trate autoridade tópica como investimento com efeito composto, não campanha pontual |
| Correlação negativa entre citação e menção | Trabalhe PR digital e presença de marca, não apenas conteúdo linkável |
| Homepages são só 4% das páginas citadas | Invista em guias profundos, comparativos e dados originais por subtema |
Na prática, o caminho passa por três frentes. Primeiro, mapear em quais categorias e subtemas a sua marca já aparece nas respostas de IA, aproveitando inclusive as fontes preferidas configuráveis no Google. Segundo, construir profundidade real: cada subtema relevante precisa de conteúdo próprio, com dados e experiência que só a sua operação tem. Terceiro, medir menções de marca em assistentes como um KPI recorrente, do mesmo modo que se mede posição no Google, algo que detalhamos no guia de SEO para compras com IA.
Para times no Brasil, há um detalhe favorável: a maior parte dos estudos e ferramentas ainda olha para o mercado americano, o que significa que as categorias em português tendem a estar ainda mais abertas do que os 89% globais sugerem. Estabelecer uma rotina mensal de auditoria de respostas de IA nas suas categorias, com os mesmos prompts, nos mesmos assistentes, é hoje o jeito mais barato de descobrir se a sua marca está ganhando ou perdendo esse território.
A janela é real, mas não é eterna. Se 89% da demanda ainda não tem dono, a pergunta certa não é se alguém vai ocupá-la, e sim quem. Nos mercados em que atuamos, a resposta costuma premiar quem começou seis meses antes.
Perguntas frequentes
O que é autoridade tópica na busca com IA?
É o grau em que uma marca domina as respostas de assistentes de IA em uma categoria de mercado. No estudo da Semrush, uma marca é dona da categoria quando aparece em 4 de 5 prompts relevantes com vantagem de pelo menos 5 pontos sobre a segunda colocada.
Por que 89% da demanda está sem dono?
Porque a busca com IA é recente e a maioria das marcas ainda otimiza apenas para o Google tradicional. Só 15,2% das 1.094 categorias analisadas têm um dono claro, o que deixa a maior parte do volume de perguntas em aberto.
Citação e menção de marca são a mesma coisa?
Não. Citação é quando a IA usa sua página como fonte; menção é quando recomenda sua marca na resposta. O estudo encontrou correlação levemente negativa entre as duas, e é a menção que mais influencia a decisão do usuário.
Homepage otimizada resolve a visibilidade em IA?
Não. Homepages são apenas 4% das páginas citadas pelas IAs. O que gera citação e menção são páginas profundas: guias, comparativos, estudos e conteúdo com dados originais sobre cada subtema.
Como começar a trabalhar GEO na prática?
Meça sua presença atual nas respostas de IA por categoria, priorize subtemas sem dono, produza conteúdo profundo com experiência própria e acompanhe menções de marca como KPI mensal, ao lado das posições no Google.



