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Busca com IA: uso sobe e a confiança do consumidor cai

NAVEGAÇÃO RÁPIDA

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Existe um jeito preguiçoso de ler os dados de busca com IA: “o uso está crescendo, logo a confiança está crescendo junto”. É intuitivo, é o que a maioria das apresentações de mercado sugere e é falso.

Um estudo da Fractl, produzido em parceria com a Search Engine Land e baseado em 1.008 consumidores e 150 profissionais de marketing nos Estados Unidos, mostra as duas curvas indo para lados opostos. As pessoas usam mais. E acreditam menos.

Para quem trabalha com GEO, essa contradição não é um detalhe estatístico. Ela redefine o que significa “ganhar” na busca generativa.

Os números que importam

São quatro dados, e cada um contradiz uma crença confortável do mercado.

  • 70% dizem usar ferramentas de IA para buscar mais do que usavam no ano anterior. A adoção é real.
  • A parcela que considera a busca com IA mais útil que a busca tradicional caiu de 82% para 54% em doze meses, uma queda de 28 pontos.
  • Os que afirmam que o uso pesado de IA por uma marca reduziria a confiança nela subiram de 20% para 39%.
  • O grupo de céticos declarados saltou de 3% para 17%, quase seis vezes maior.

Traduzindo: o consumidor incorporou a ferramenta à rotina e, ao mesmo tempo, começou a desconfiar dela. É o comportamento clássico de quem usa algo por conveniência, não por convicção. E quem usa por conveniência troca fácil.

O paradoxo da confiança na busca com IA O uso sobe, a percepção de utilidade cai e a desconfiança com a marca aumenta ACHA A BUSCA COM IA MAIS ÚTIL82%202554%2026Queda de 28 pontos em 12 meses USO PESADO DE IA REDUZA CONFIANÇA NA MARCA20%202539%2026Quase o dobro em um ano CÉTICOS DA IA3%202517%2026Segmento quase 6 vezes maior O que fazer com issoReforce prova humana: autoria, dados próprios e experiência verificávelTrate a citação em IA como visibilidade, e a confiança como conversãoSinalize onde a IA foi usada e onde não foiMeça o tráfego de assistentes separadamente Dados: estudo Fractl com a Search Engine Land (1.008 consumidores e 150 profissionais, EUA).
Adoção e confiança na busca com IA seguem em direções opostas. Imagem: Analytikos

Por que a confiança está caindo

A explicação mais provável é a mais chata: familiaridade. No primeiro ano, o resumo gerado parecia mágica. No segundo, o usuário já viu a resposta errada, já clicou na citação que não sustentava a afirmação e já percebeu que o modelo escreve com a mesma segurança quando acerta e quando erra.

Existe também um problema estrutural de instabilidade. Análises de mercado apontam que entre 40% e 60% das fontes citadas no AI Mode e no ChatGPT mudam de um mês para o outro. Isso já tínhamos observado quando comparamos as divergências de citação entre AI Mode e AI Overviews. Uma superfície que troca metade das fontes a cada ciclo não constrói referência na cabeça de ninguém.

O risco que ninguém colocou no plano: usar IA pode custar confiança

O dado mais desconfortável do estudo não é sobre o buscador. É sobre você. Quase 4 em cada 10 consumidores dizem que confiariam menos em uma marca que usa IA de forma intensiva.

Isso conversa direto com a previsão da Forrester para 2026, de que um terço das empresas vai piorar a experiência do cliente com autoatendimento de IA mal implementado, corroendo aquisição e retenção ao mesmo tempo.

A pressão para cortar custos vai levar empresas a lançar chatbots e agentes virtuais generativos prematuramente, e em contextos nos quais eles dificilmente vão funcionar.

Forrester, previsões de 2026 para marketing B2C, CX e negócios digitais

Ou seja: a IA barateia a produção, mas o consumidor está começando a cobrar o preço em outra moeda.

O que muda na estratégia de GEO

1. Separe visibilidade de confiança

Ser citado no AI Overview é métrica de topo. Não é prova de que a pessoa acreditou. Meça as duas coisas: aparições em superfícies generativas de um lado, e taxa de conversão do tráfego vindo de assistentes do outro. Já mostramos que o tráfego de IA pode converter mais no e-commerce, o que reforça a importância de olhar o funil inteiro, e não só a citação.

2. Prova humana virou diferencial competitivo

Autoria com nome e rosto, dados próprios, metodologia declarada, foto de bastidor, número que só você tem. É exatamente o que o Google chama de conteúdo não commodity na sua documentação sobre recursos de IA na Busca. E é o que um cético procura antes de acreditar.

3. Transparência sobre o uso de IA

A tendência é regulatória e de mercado ao mesmo tempo. O Google já passou a rotular anúncios criados ou editados com IA. Se a plataforma está sinalizando, a marca que esconde vai parecer a que tinha algo a esconder.

4. Fundamento não virou opcional

Como o próprio Google reforça no guia em que afirma que AEO e GEO ainda são SEO, não existe atalho separado. Indexação, qualidade e reputação continuam sendo a base, e passam a ser a base também das respostas geradas.

A leitura para o Brasil

Uma ressalva honesta: o estudo é americano. Não temos dado equivalente com amostra brasileira, e a curva de adoção aqui é diferente, puxada por celular e por WhatsApp. Então trate os percentuais como direção, não como número para colar em slide de cliente.

O que dá para levar sem ressalva é o padrão de comportamento: a novidade acabou e a régua subiu. Em 2025, aparecer na resposta da IA era vantagem. Em 2026, aparecer e sustentar o que você disse é o mínimo.

Perguntas frequentes

O que o estudo da Fractl com a Search Engine Land mediu?

A pesquisa ouviu 1.008 consumidores e 150 profissionais de marketing nos Estados Unidos sobre uso e percepção da busca com IA. O achado central é a divergência entre adoção crescente e confiança em queda.

A confiança na busca com IA caiu quanto?

A parcela que considera a busca com IA mais útil que a tradicional caiu de 82% para 54% em doze meses, uma queda de 28 pontos. O grupo de céticos declarados subiu de 3% para 17%.

Usar IA na minha marca pode afastar clientes?

Pode, se for percebido como substituição do humano em momentos que exigem julgamento. No estudo, 39% dizem que o uso intensivo de IA por uma marca reduziria a confiança nela, contra 20% no ano anterior.

Devo parar de investir em GEO por causa disso?

Não. A adoção continua subindo e 70% dizem usar mais IA para buscar do que no ano passado. O que muda é a métrica de sucesso: a citação deixa de ser o objetivo final e passa a ser o começo do funil.

Esses dados valem para o mercado brasileiro?

Servem como direção, não como número absoluto. A amostra é dos Estados Unidos e não há estudo equivalente com base brasileira. O padrão de comportamento, porém, tende a se repetir com defasagem.

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