Durante meses, a lógica de muitas empresas foi simples: quanto mais IA, melhor. Esse comportamento ganhou até um nome, tokenmaxxing, a prática de maximizar o consumo de tokens como se gastar mais fosse sinônimo de produtividade. Em 2026, a conta chegou e mudou o jogo.
No fim de junho, empresas começaram a abandonar o tokenmaxxing em favor da eficiência, como mostrou a CNBC. O motivo é direto: os custos por uso cresceram mais rápido do que o valor mensurável entregue.
Para times de marketing, atendimento e e-commerce, a virada é uma boa notícia. Ela obriga a trocar o gasto no escuro por processos que entregam o mesmo resultado com uma fração do custo. Este artigo mostra o que aconteceu e como aplicar essa disciplina sem travar projetos.
O que foi o tokenmaxxing e por que ele acabou
O tokenmaxxing tratava o volume de tokens consumidos como um indicador de esforço e valor. Na prática, virou desperdício: fluxos rodando nos modelos mais caros para tarefas simples, chamadas repetidas sem cache e nenhum controle de orçamento. O resultado foram faturas que escalaram sem relação clara com o retorno.
Casos concretos aceleraram a mudança. A Uber passou a limitar o gasto de IA por funcionário em 1.500 dólares por mês depois de queimar o orçamento anual em quatro meses, e a Meta impôs teto ao consumo interno de tokens. A lógica do gaste primeiro e meça depois deixou de se sustentar.
A mudança marca o fim da era do gaste primeiro, meça depois: os custos por uso cresceram mais rápido do que o valor mensurável.
Análise reportada pela CNBC
As três alavancas que cortam a conta sem perder qualidade
A boa notícia é que dá para reduzir bastante o custo sem sacrificar o resultado. Equipes de produção relatam cortes de 60% a 80% na conta de IA combinando três técnicas, sem perda visível de qualidade.
| Técnica | O que faz | Efeito no custo |
|---|---|---|
| Roteamento de modelos | Usa o modelo certo para cada tarefa, reservando os de fronteira para o que exige mais | Alto |
| Cache de respostas | Reaproveita respostas de perguntas repetidas | Médio a alto |
| Batching | Agrupa requisições semelhantes para processar em lote | Médio |
O potencial de economia é grande porque cerca de 95% do uso corporativo de IA ainda roda em modelos de fronteira, mesmo quando a tarefa não exige. Só rever esse roteamento já libera folga no orçamento. É o mesmo princípio que discutimos ao tratar do custo real da IA.

Modelos abertos e mais baratos ganham espaço
A pressão por eficiência também abriu porta para alternativas. A startup Lindy relatou ter cortado cerca de 90% do custo de inferência ao migrar de um modelo de fronteira para uma opção mais barata, com desempenho igual ou melhor nas tarefas centrais. É o cenário que já antecipávamos ao cobrir o avanço do DeepSeek V4.
Isso não significa abandonar os grandes modelos, e sim usá-los com critério. Tarefas críticas continuam pedindo o que há de melhor, enquanto o volume rotineiro pode rodar em modelos menores e mais econômicos.
Como aplicar isso na sua operação
Comece medindo. Sem visibilidade de onde os tokens são gastos, qualquer corte é chute. Ferramentas de controle já permitem provisionar usuários, ver métricas e definir limites por time e por pessoa, o que transforma a IA em uma despesa gerenciável como qualquer outra.
Depois, priorize as alavancas de maior impacto: reveja o roteamento, ligue o cache no que se repete e agrupe requisições quando possível. E mantenha o olho na qualidade, porque eficiência que degrada a experiência não é economia, é prejuízo, tema que também aparece quando falamos da confiabilidade dos agentes de IA.
Perguntas frequentes
O que é tokenmaxxing?
É a prática de maximizar o consumo de tokens de IA como se gastar mais fosse sinônimo de produtividade. Em 2026, a estratégia se mostrou cara e pouco eficaz.
Dá para reduzir o custo de IA sem perder qualidade?
Sim. Equipes de produção relatam cortes de 60% a 80% combinando roteamento de modelos, cache de respostas e batching, sem perda visível de qualidade.
Preciso trocar de fornecedor para economizar?
Nem sempre. Grande parte da economia vem de usar o modelo certo para cada tarefa e de controlar o consumo, antes mesmo de trocar de fornecedor.
Modelos abertos substituem os de fronteira?
Eles complementam. Tarefas críticas seguem pedindo os modelos mais capazes, enquanto o volume rotineiro pode rodar em opções mais baratas.
Por onde começar a cortar custos de IA?
Pela medição. Defina limites por time e por pessoa, entenda onde os tokens são gastos e depois aplique roteamento, cache e batching.



