Por quase dois anos, a história da busca com IA foi contada com uma única curva descendo. As AI Overviews ocuparam o topo da página, o usuário leu a resposta ali mesmo e o clique no link azul ficou cada vez mais raro. O número que virou símbolo dessa fase é direto: a taxa de cliques orgânica caiu 61% em consultas que exibem uma AI Overview, segundo a análise da Seer Interactive.
O que mudou em 2026 é que essa curva parou de cair e começou a se mexer para cima. Os dados mais recentes mostram recuperação parcial, um comportamento de cliques mais resiliente do que se temia e um sinal claro de para onde o jogo migrou: ser citado dentro da resposta de IA vale mais do que disputar a primeira posição clássica.
Neste artigo separamos o que os números realmente dizem, por que a leitura apressada de “fim do SEO” não se sustenta e quais ajustes fazem sentido agora para quem depende de tráfego de busca.
A queda de 61% que assustou o mercado
O dado que circulou em todos os relatórios saiu de um estudo amplo: a Seer Interactive acompanhou 53 marcas, 5,47 milhões de consultas monitoradas e 2,43 bilhões de impressões orgânicas ao longo de 2025, com dados reais do primeiro trimestre de 2026. Quando uma AI Overview aparecia, a CTR orgânica caía de 1,76% para 0,61%, uma queda de 61%. No tráfego pago o tombo foi ainda maior, de 19,7% para 6,34%, como noticiou a Search Engine Land.
A leitura imediata foi catastrófica, e dá para entender o motivo. Quando o Google passou a colocar uma resposta pronta acima de tudo, muita consulta deixou de gerar visita. Esse fenômeno, que já tratamos no blog ao mostrar como o zero-click chegou a 68% das buscas, ganhou um número de CTR para chamar de seu.
O dado novo de 2026: a curva virou
A atualização de 2026 da própria Seer conta a outra metade da história. A CTR orgânica em consultas com AI Overview subiu de 1,3% em dezembro de 2025 para 2,4% em fevereiro de 2026, um avanço de 85% em dois meses. Não é um retorno ao patamar pré-IA, e ninguém espera que volte, mas a queda perdeu força e há sinais de estabilização no que o estudo chama de “novo normal”.
Foi por isso que a Search Engine Journal resumiu o momento com a manchete de que a CTR caiu 61% mas os cliques não desabaram. A diferença entre as duas frases é tudo. Uma taxa percentual menor sobre um volume maior de buscas com IA não significa, necessariamente, menos visitas absolutas para quem aparece bem. O comportamento se reorganizou, não evaporou.
O que passou a separar quem ganha de quem perde
O achado mais acionável do estudo não é a média geral, e sim a diferença entre estar dentro ou fora da resposta. Marcas citadas nas respostas de IA recebem 120% mais cliques orgânicos por impressão do que as que não são citadas na mesma SERP. A citação não devolve o patamar antigo, porém: ainda fica 38% abaixo do que a mesma consulta entrega quando não há AI Overview nenhuma. A disputa deixou de ser apenas por posição na lista azul e passou a ser por presença na própria síntese que o Google entrega no topo.
Isso conecta SEO clássico e o que vínhamos chamando de GEO, a otimização para ser citado por sistemas de IA. Já detalhamos esse caminho ao explicar como ser citado por ChatGPT e AI Overviews e como medir a visibilidade da sua marca na busca com IA. A novidade de 2026 é que agora existe número de negócio amarrado a essa presença.
Ainda não voltamos às CTRs pré-AIO, e não esperamos voltar, mas a queda desacelerou, o que indica que talvez já tenhamos passado o pior período.
Seer Interactive, atualização de 2026
Tabela: o que o dado sinaliza e a ação correspondente
| Sinal observado | Leitura | Ação recomendada |
|---|---|---|
| CTR caiu 61% em consultas com AI Overview | O clique migrou, mas não desapareceu | Priorizar consultas de fundo de funil e intenção clara, menos suscetíveis à resposta pronta |
| Recuperação de 1,3% para 2,4% no 1º tri de 2026 | O mercado encontra um novo normal | Manter investimento em conteúdo, evitar cortes reativos de SEO |
| Marcas citadas ganham 120% mais cliques por impressão | Presença na resposta vale mais que posição | Estruturar conteúdo para citação: dados, fontes, respostas objetivas |
Como reagir sem reagir demais
A pior decisão diante desse cenário é cortar conteúdo no susto. Os dados mostram exatamente o contrário do colapso: um ajuste de patamar seguido de recuperação. Quem reduzir produção agora abre espaço justamente para os concorrentes que serão citados nas respostas de IA daqui para frente.
O movimento sensato tem três frentes. A primeira é medir o que muda na prática, separando consultas com e sem AI Overview na sua análise, algo que o Google passou a facilitar com a nova seção de desempenho em IA do Search Console, como já mostramos ao explicar o relatório de IA generativa no Search Console. A segunda é reescrever páginas estratégicas para serem facilmente citáveis, com respostas diretas, dados verificáveis e fontes claras. A terceira é proteger o fundo de funil, onde a intenção de compra ainda puxa o clique para fora da resposta.
A busca não acabou. Ela mudou de forma, e quem entender o novo normal antes dos concorrentes sai na frente na corrida pela citação.
Onde está a sua exposição real a AI Overviews
Falar de “queda da CTR” no agregado esconde a parte útil. O mesmo estudo mostra que a exposição varia muito conforme a intenção da consulta. Entre as consultas informacionais, 36% exibem uma AI Overview. Nas comerciais, 8%. Nas transacionais, 5%. Ou seja, quem vive de conteúdo informacional opera em território de risco sete vezes maior do que quem vive de consulta transacional.
O formato da consulta discrimina ainda mais. A taxa em que cada tipo aciona uma AI Overview:
- Comparação, do tipo “X vs Y”: 95,4%
- Consultas de review: 86,3%
- Perguntas com o que, por que, como: 85,9%
- Preço, custo e comprar: 83,4%
- Listas do tipo “melhores”: 81,3%
- Buscas com “perto de mim”: 76,9%
- Consultas de uma única palavra: 27,3%
A leitura prática é direta: se a sua estratégia de conteúdo se apoia em páginas de comparação e de pergunta, praticamente todo esse tráfego já é afetado por AI Overview. Não é um cenário futuro a monitorar, é o estado atual dessas páginas.
A conta do clique, em números absolutos
Percentual de CTR confunde. Traduzido para volume, a cada 1 milhão de impressões orgânicas em consultas informacionais, o estudo estima:
- Sem AI Overview na página: cerca de 33.500 cliques
- Com AI Overview e marca citada: cerca de 20.743 cliques
- Com AI Overview e marca não citada: cerca de 9.445 cliques
A diferença entre ser citado e não ser citado é da ordem de 11 mil cliques por milhão de impressões. É esse número que justifica tratar otimização para citação como entrega central, e não como item opcional no fim do escopo.
Uma ressalva de leitura, que o próprio estudo faz: a CTR agregada do grupo “marca não citada” (0,94%) é puxada para baixo por uma única conta que responde por 47% das impressões daquele segmento, com 0,20% de CTR. Excluindo essa conta, o agregado fica perto de 1,61%. Serve de lembrete de que benchmark de mercado orienta a pergunta, mas é o seu próprio dado que responde.
Perguntas frequentes
A CTR orgânica vai voltar ao patamar anterior às AI Overviews?
Os dados de 2026 indicam recuperação parcial, não retorno total. A CTR subiu de 1,3% para 2,4% no início de 2026, mas o próprio estudo da Seer Interactive afirma que não se espera voltar aos níveis pré-IA. O cenário é de um novo normal.
Por que a queda de 61% não significou o fim do tráfego orgânico?
Porque a taxa percentual caiu sobre um volume muito maior de buscas com IA. Cliques absolutos para quem aparece bem se mostraram mais resilientes, e marcas citadas nas respostas recebem 120% mais cliques orgânicos por impressão do que as não citadas, ainda que 38% abaixo de uma SERP sem AI Overview.
O que mais importa hoje: posição no ranking ou citação na AI Overview?
As duas coisas, mas a citação ganhou peso. Estar dentro da resposta de IA passou a gerar mais cliques do que apenas figurar na lista azul, o que conecta SEO clássico e GEO.
Devo reduzir o investimento em SEO por causa das AI Overviews?
Não. Os dados apontam recuperação, e cortar conteúdo abre espaço para concorrentes serem citados no seu lugar. O ajuste correto é otimizar para citação e medir o impacto consulta a consulta.



