Existe um dado da OpenAI que muda a forma como o Brasil deveria pensar a busca com IA: a maioria dos usuários ativos do ChatGPT já não usa inglês. E, entre os idiomas mais comuns, o português aparece no topo, ao lado de espanhol e árabe.
Para quem produz conteúdo e cuida de visibilidade, isso é ao mesmo tempo oportunidade e alerta. Oportunidade porque o público em português cresce dentro das ferramentas de IA. Alerta porque a mecânica de recuperação dessas ferramentas ainda favorece fontes em inglês.
Neste artigo, mostramos o que os dados revelam, por que existe um paradoxo entre idioma do usuário e idioma da fonte, e o que fazer para a sua marca ser citada quando a pergunta é feita em português.
O que os dados da OpenAI mostram
Segundo os dados de adoção divulgados pela OpenAI e analisados pela Search Engine Journal, mais da metade dos usuários ativos em planos de consumo usa predominantemente um idioma que não é o inglês, com espanhol, português e árabe entre os mais comuns. O crescimento mais rápido vem da África e da Ásia.
A base também está mais engajada: depois de seis meses de uso, as pessoas enviam cerca de 50% mais mensagens por dia e experimentam o dobro de tarefas, segundo uma amostra de cerca de 0,1% das contas criadas entre outubro de 2025 e maio de 2026. Ou seja, não é só mais gente, é gente usando mais e em mais idiomas.
O paradoxo do fan-out em inglês

Há um detalhe técnico importante. Mesmo quando a pergunta é feita em português, os sistemas de busca com IA costumam rodar consultas de bastidor (o chamado fan-out) em inglês, puxando fontes em inglês antes de montar a resposta. O usuário fala português, mas a máquina pesquisa em inglês. Uma análise da Peec AI, com mais de 10 milhões de prompts, estimou que cerca de 43% das etapas de pesquisa do ChatGPT acontecem no conteúdo em inglês, mesmo quando a pergunta é feita em outro idioma.
Aí surge a dúvida óbvia: se a máquina puxa fontes em inglês, por que investir em conteúdo em português? Por três motivos. Primeiro, o fan-out é parcial: a primeira consulta costuma ser no idioma do usuário e boa parte da recuperação continua em português, então conteúdo nativo forte captura essa fatia. Segundo, o público e a resposta final estão em português, ou seja, sem presença nesse idioma você nem entra nas perguntas feitas nele. Terceiro, em temas locais as fontes em inglês não têm a resposta, e o seu conteúdo em português vira a fonte natural.
O português, porém, resolve a demanda, não o viés de recuperação. Para ser citado mesmo no fan-out em inglês, o que pesa são sinais de autoridade que independem de idioma: uma entidade de marca bem definida, dados estruturados, presença nas fontes que a IA já cita e, quando fizer sentido, versões em inglês das páginas-chave. É o mesmo princípio que já defendemos ao falar das fontes preferidas na busca com IA.
O que muda para o GEO e o conteúdo
| Sinal | Implicação | Ação |
|---|---|---|
| Maioria não-inglês | Público em português cresce na IA | Produzir e estruturar conteúdo em português |
| Fan-out em inglês | Fontes em inglês têm vantagem | Reforçar entidades, autoridade e sinais que a IA reconhece em qualquer idioma |
| Base mais engajada | Mais consultas por usuário | Cobrir a jornada, não só o topo |
Como se preparar
“um público só em inglês deixa de ser o público”
Search Engine Journal (tradução livre)
A leitura para marcas brasileiras é direta: tratar o português como idioma de primeira classe na estratégia de conteúdo e medir a presença nas respostas de IA, como mostramos em como medir a visibilidade da marca na busca com IA. Vale lembrar que a confiança do usuário ainda é frágil, tema que tratamos em busca com IA e confiança do consumidor.
- Publicar conteúdo original e aprofundado em português, não apenas traduções, para vencer a demanda no idioma do público.
- Fortalecer a entidade da marca com dados estruturados e presença consistente, para ser reconhecida mesmo no fan-out em inglês.
- Mapear as fontes que a IA já cita na sua categoria e buscar espaço nelas, mantendo versões em inglês das páginas-chave quando fizer sentido.
- Cobrir dúvidas de meio e fundo de funil, onde o engajamento é maior.
- Acompanhar citações e tráfego vindos de assistentes de IA, com metas de negócio.
Perguntas frequentes
A maioria dos usuários do ChatGPT ainda usa inglês?
Não. Segundo dados da OpenAI, mais da metade dos usuários ativos em planos de consumo usa predominantemente outro idioma, com espanhol, português e árabe entre os mais comuns.
O que é o fan-out em inglês?
São consultas de bastidor que a busca com IA roda em inglês, mesmo quando a pergunta é feita em outro idioma, puxando fontes em inglês antes de montar a resposta.
O que isso muda para marcas brasileiras?
Aumenta a importância de produzir conteúdo forte em português e de reforçar as entidades da marca, para ser citada quando a pergunta é feita em português.
Traduzir o conteúdo em inglês resolve?
Ajuda, mas não basta. O ideal é conteúdo original em português, com autoridade de tema, além de sinais de entidade que a IA reconheça em qualquer idioma.
Como medir se estou aparecendo na busca com IA?
Acompanhando citações da marca nas respostas de assistentes e o tráfego que chega por eles, com metas de negócio e não apenas de cliques.
Se o ChatGPT prefere fontes em inglês, por que investir em conteúdo em português?
Porque o público e a resposta final estão em português, o fan-out é parcial (parte da recuperação continua no idioma do usuário) e, em temas locais, as fontes em inglês não têm a resposta. O português resolve a demanda. Para vencer o viés de recuperação, some a isso sinais de autoridade que independem de idioma, como entidade de marca, dados estruturados e presença nas fontes que a IA já cita.



