O comércio agêntico tinha um problema de fundo que ninguém no varejo aceitava em silêncio: quando a compra acontece dentro do Google, o lojista recebe o pedido mas nunca recebe a visita. Sem visita não existe upsell, não existe cadastro, não existe leitura de comportamento e a marca vira fornecedor de catálogo. Em 16 de setembro o Google apresentou a resposta para essa reclamação.
O recurso se chama cart transfer. Lojistas que já usam o hub do Universal Commerce Protocol para checkout podem ativar um caminho em que o comprador sai da superfície do Google levando o carrinho montado e finaliza a compra no próprio site. O anúncio veio de Ashish Gupta, vice-presidente e gerente geral de Merchant Shopping, em post oficial voltado à temporada de fim de ano.
Junto vieram outras duas peças relevantes: o beta do Business Agent dentro dos anúncios do YouTube e a disponibilidade geral dos relatórios de desempenho em IA do Merchant Center. É um pacote de pré Natal, e ele tem endereço claro: o varejista que ainda está decidindo quanto investir em agentes.
O que o Google anunciou em 16 de setembro
- Cart transfer no hub do UCP. Lojistas com checkout via UCP podem habilitar o envio do carrinho para o próprio site, além de testes ampliados do fluxo de checkout. O rollout é gradual nos Estados Unidos, com Austrália e Canadá no início do ano que vem.
- Business Agent em anúncios do YouTube. Beta nos Estados Unidos. O agente da marca fica embutido no anúncio e o espectador pesquisa, pergunta e recebe orientação sem sair do YouTube.
- AI performance insights em disponibilidade geral. O relatório agora atende Austrália, Canadá, Índia, Nova Zelândia e Estados Unidos, com consultas em inglês e cobertura apenas de tráfego orgânico de IA.
- UCP Analytics. A documentação para desenvolvedores, atualizada em 3 de setembro, descreve um painel que vai do clique no botão de compra até a conclusão do pedido, com ticket médio e cancelamentos. O post do Google trata o recurso como algo que ainda vem, divergência que a Search Engine Journal registrou.
O Google também informa que o UCP já habilita checkout direto para centenas de milhares de marcas e varejistas em suas superfícies, e cita a Tapestry, dona de Coach e Kate Spade, como exemplo de integração concluída a tempo da temporada de presentes.
O Google publicou demonstrações de cada uma dessas frentes. A do Business Agent mostra o agente da marca aberto dentro do anúncio, com o espectador perguntando sobre o produto sem sair do vídeo.
Como o cart transfer funciona na prática
Do lado técnico, a documentação do Google lista o recurso como uma capacidade chamada transferência para o carrinho do lojista, ativada por quem suporta a Cart API. Existe um detalhe operacional que muda o cálculo de quem estava adiando o projeto: o checklist dessa opção dispensa a configuração completa de feed de produtos, os avisos de produto e os dados de suporte ao cliente. Há também um sandbox na mesma aba do Merchant Center para testar as requisições de carrinho e checkout.
A demonstração do próprio Google percorre o caminho completo: o hub de integração do UCP dentro do Merchant Center, onde o lojista escolhe as capacidades, e o checkout da Coach acontecendo em seguida.

Traduzindo: a barreira de entrada do caminho que devolve a visita é menor do que a do caminho que fecha tudo dentro do Google. Isso é uma escolha de produto, não um acidente.
Por que o varejo pedia exatamente isso
A queixa é antiga e específica. Sem a visita ao site, o comprador não vê sugestões de acessórios, não entra em fluxo de recompra, não se cadastra e não desenvolve vínculo com a marca. O lojista fica com a margem menor e com a parte chata da operação, que é entregar e atender.
Já vimos esse filme com dados. Quando analisamos o caso em que o checkout dentro do ChatGPT converteu três vezes pior, a conclusão foi a mesma: tirar o comprador do ambiente controlado da loja tem custo de conversão e custo de dado. O cart transfer não resolve tudo, mas devolve ao lojista o pedaço da jornada em que ele sabe operar.
Agora, lojistas que usam o hub para checkout via UCP também podem habilitar capacidades como a transferência do carrinho para o site do lojista e o teste ampliado do fluxo de checkout, com analytics e mais recursos em breve.
Ashish Gupta, vice-presidente e gerente geral de Merchant Shopping do Google
Dois relatórios, duas perguntas diferentes
A confusão entre AI performance insights e UCP Analytics já começou. Eles medem camadas distintas e responder isso errado gera decisão errada de investimento.
| Critério | AI performance insights | UCP Analytics |
|---|---|---|
| Pergunta que responde | Minha marca aparece nas respostas de IA? | O checkout via agente está convertendo? |
| Onde começa a medição | Exibição do produto em AI Mode e AI Overviews | Clique no botão de compra |
| Métricas principais | Share of voice, frequência e produtos exibidos | Ticket médio, compras concluídas e cancelamentos |
| Cobertura atual | Austrália, Canadá, Índia, Nova Zelândia e Estados Unidos | Lojistas com UCP habilitado e papel de Performance |
| Limitação conhecida | Só tráfego orgânico de IA e sem métrica de clique | Dados ainda não expostos pela Merchant API |
Nós já detalhamos o primeiro deles quando o Merchant Center abriu os dados da busca com IA. O segundo é o que faltava para fechar o funil.
O relatório de descoberta também ganhou demonstração oficial, e ela ajuda a entender o que o share of voice mostra na prática.
O que fazer no seu e-commerce agora
O recurso ainda não chegou ao Brasil, mas o trabalho de base é o mesmo e não depende de liberação.
- Arrume o feed antes de qualquer coisa. O Google afirma que lojistas que adotam as boas práticas de feed do Merchant Center veem em média 5% de aumento de conversões no mês seguinte. Vale revisar as regras de imagem, vídeo e frete do Merchant Center.
- Submeta atributos conversacionais. Em teste com a lululemon, atributos conversacionais enviados pela marca foram incorporados em 50% das recomendações relevantes no AI Mode. É contexto que o agente não tem como inventar.
- Prepare o catálogo para ser lido por agente. Variante, estoque e preço em tempo real deixaram de ser luxo. Nosso guia sobre como deixar o catálogo pronto para agentes de IA continua valendo linha a linha.
- Conecte o programa de fidelidade. Ligar os dados de fidelidade ao Merchant Center faz preço e benefício de membro aparecerem nas superfícies do Google, o que aumenta o incentivo para o comprador escolher o seu caminho.
- Decida a sua política de checkout. Fechar no Google, transferir para o site ou oferecer os dois. Essa é decisão de negócio, não de TI, e precisa considerar margem, dado e capacidade de atendimento.
Para quem está começando a estruturar isso, vale combinar a leitura com as seis prioridades de SEO para compras com IA e com o que aprendemos quando o ChatGPT Shopping passou a decidir pelo feed em vez da web. As superfícies são diferentes, mas o insumo é o mesmo: catálogo limpo e bem descrito.
Perguntas frequentes
O que é o cart transfer do UCP?
É a capacidade que permite ao comprador levar o carrinho montado por um agente de IA em superfícies do Google para o site do próprio lojista, onde o checkout é concluído. O lojista ativa o recurso no hub do UCP no Merchant Center e precisa suportar a Cart API.
O cart transfer já está disponível no Brasil?
Ainda não. O rollout é gradual nos Estados Unidos, com Austrália e Canadá previstos para o início do próximo ano. O Google não divulgou prazo para outros mercados.
Preciso configurar o feed completo para usar o cart transfer?
Segundo a documentação do Google, o checklist dessa opção dispensa a configuração completa de feed de produtos, os avisos de produto e os dados de suporte ao cliente. Ainda assim, feed bem estruturado continua determinante para aparecer nas respostas de IA.
Qual a diferença entre AI performance insights e UCP Analytics?
O primeiro mede descoberta, ou seja, se a marca e os produtos aparecem em superfícies como AI Mode e AI Overviews. O segundo mede transação, começando no clique do botão de compra e indo até a conclusão do pedido, com ticket médio e cancelamentos.
O que é o Business Agent no YouTube?
É um beta nos Estados Unidos em que um agente da marca fica embutido no anúncio do YouTube. O espectador pode pesquisar produtos, fazer perguntas complexas e receber orientação sem sair da plataforma.



