Atena
Analytikos
IA e empregos: equipe de marketing reunida em mesa de escritório

IA e empregos: o que o Pew mediu em 37 países

NAVEGAÇÃO RÁPIDA

Mais lidas

Carregando posts...

A relação entre IA e empregos deixou de ser um debate de coluna de opinião e virou um número comparável entre países. O Pew Research Center publicou em 17 de setembro um levantamento em 37 países, e o resultado é consistente a ponto de incomodar: em 34 deles, mais gente espera menos empregos do que mais empregos nos próximos 20 anos.

O dado importa para quem lidera time de marketing por um motivo prático. Essa expectativa já está dentro da sua equipe, na cabeça de quem você pediu para adotar uma ferramenta nova na semana passada. E ela molda como as pessoas respondem a esse pedido.

Vale separar o que a pesquisa sobre IA e empregos mede do que ela não mede, porque a diferença muda a conversa.

Os números, sem arredondamento de manchete

Segundo o relatório do Pew Research Center, na mediana dos 37 países, 46% dizem que a IA vai levar a menos empregos no próprio país e 9% dizem que vai levar a mais. Outros 25% responderam que não sabem. A pesquisa ouviu 42.151 adultos em 36 países entre 8 de fevereiro e 13 de maio, com números dos Estados Unidos vindos de levantamentos separados.

IA e empregos: expectativa global sobre o efeito da IA no número de vagas
Imagem: Analytikos. IA e empregos na mediana global, com os recortes por renda e por idade.

Austrália e Coreia do Sul lideram o pessimismo, com 76% cada, seguidas pelos Estados Unidos, com 71%. O número americano subiu de 64% em agosto de 2024, como destacou Matt G. Southern na Search Engine Journal. No Brasil e em outros países de renda média, a fatia dos indecisos é maior, e o Pew avalia que a opinião ainda está em formação.

IA e empregos: quanto mais se ouve falar, mais se espera perda

No recorte de IA e empregos por renda está a parte mais interessante do estudo. Nos 18 países de renda alta, a mediana de quem espera menos empregos é de 55%. Nos 18 de renda média, cai para 36%. A incerteza faz o caminho inverso: 34% de indecisos nos países de renda média contra 22% nos de renda alta.

IndicadorPaíses de renda altaPaíses de renda média
Esperam menos empregos55%36%
Não souberam responder22%34%
Ouviram falar muito sobre IA50%27%
Acham que a IA amplia a desigualdade35%22%
Mais preocupados do que animados40%31%
Imagem: Analytikos. IA e empregos por grupo de renda no levantamento do Pew Research Center.

O relatório registra correlação de 0,60 entre PIB per capita e a expectativa de perda de empregos, e de 0,74 entre PIB per capita e a fatia que diz ter ouvido falar muito sobre IA. Correlação, como o próprio Pew ressalta, não indica que a riqueza do país cause o pessimismo.

Singapura aparece como exceção clara: PIB per capita perto de 100 mil dólares e 46% esperando menos empregos. E há um contraponto útil na Coreia do Sul, onde 76% esperam menos empregos, mas apenas 18% se dizem mais preocupados do que animados com a IA no dia a dia. Esperar mudança não é o mesmo que rejeitar a tecnologia.

IA e empregos: o que já aparece na folha de pagamento

Em IA e empregos, expectativa é uma coisa e efeito medido é outra. O Olhar Digital reuniu os dois lados ao cruzar o Pew com uma análise revisada do Stanford Digital Economy Lab, baseada em dados de folha da ADP que cobrem milhões de trabalhadores nos Estados Unidos até junho de 2026.

O achado: o emprego de trabalhadores de 22 a 25 anos em ocupações muito expostas à IA está 19% abaixo do esperado, na comparação com jovens em funções menos expostas. O sinal aparece na porta de entrada da carreira, não no meio dela.

Isso não significa que 19% desses trabalhadores perderam o emprego por causa da IA. Os dados também não comprovam relação de causalidade, já que outros fatores econômicos podem ter influenciado o resultado.

Ressalva dos próprios autores do estudo do Stanford Digital Economy Lab

Essa ressalva é a parte que some quando o dado vira manchete. Vale repeti-la em qualquer conversa interna sobre IA e empregos.

O que isso muda para quem gerencia um time de marketing

Três consequências práticas do debate sobre IA e empregos, todas independentes de quem tem razão sobre o futuro do trabalho.

A primeira é de adoção. Se metade do time acredita que a ferramenta que você está implantando reduz vagas no setor, a resistência não vai aparecer como recusa aberta. Vai aparecer como uso superficial, relatório de eficiência inflado e um processo paralelo mantido em silêncio. Isso conecta com o que já discutimos sobre as horas de IA que seu time de marketing não está contando.

A segunda é de expectativa de resultado. Estudos sobre adoção corporativa mostram uma lacuna grande entre anúncio e valor entregue, como no levantamento em que apenas 13% das empresas tiram valor real da IA comercial. Prometer ganho de produtividade sem medir a hora gasta em revisão é o caminho mais rápido para perder credibilidade com o time.

A terceira é de formação. Se o impacto se concentra na entrada da carreira, o estágio e o júnior são os primeiros a desaparecer do organograma, e com eles o funil que forma o sênior de daqui a cinco anos. Vale lembrar que 88% do conteúdo produzido com IA ainda pede edição humana, e quem edita precisa ter aprendido a escrever em algum lugar.

IA e empregos: o que fazer com esse dado nesta semana

  • Diga ao time, de forma explícita, qual é a política da empresa sobre IA e headcount. O silêncio é preenchido com a pior hipótese.
  • Meça o tempo real de revisão e correção, não apenas o tempo de geração. Sem isso o ganho é retórico.
  • Mantenha vagas de entrada com escopo redesenhado, em vez de simplesmente congelar a base da pirâmide.
  • Separe, na sua comunicação, o que é expectativa de pesquisa de opinião do que é efeito medido em dados de emprego.
  • Evite usar projeções de longo prazo como se fossem previsão. Cenários como os três modelos econômicos até 2030 servem para planejar faixas, não para fixar metas.

E uma nota de ceticismo saudável sobre IA e empregos: o setor é generoso em afirmações grandiosas, como mostrou a repercussão de declarações sobre a chegada da AGI. Em IA e empregos, dado de pesquisa com metodologia aberta, como o do Pew, vale mais para decisão do que qualquer previsão de palco.

Perguntas frequentes

Quantos países o Pew ouviu nessa pesquisa?

A pesquisa do Pew sobre IA e empregos cobriu 37 países. A base é de 42.151 adultos entrevistados em 36 países entre 8 de fevereiro e 13 de maio de 2026, com os dados dos Estados Unidos vindos de dois levantamentos separados com adultos americanos.

Em quantos países predomina a expectativa de perda de emprego?

Em 34 dos 37 países pesquisados sobre IA e empregos, mais pessoas esperam que a tecnologia leve a menos vagas do que a mais empregos nos próximos 20 anos.

Por que o pessimismo é maior em países ricos?

A pesquisa encontra correlação entre PIB per capita, exposição ao tema de IA e empregos e expectativa de perda de vagas, mas não estabelece causa. Nos países de renda média, a maior fatia de indecisos sugere que a opinião ainda está se formando.

Já existe efeito comprovado da IA sobre o emprego?

Há sinais, não comprovação. A análise do Stanford Digital Economy Lab com dados de folha da ADP aponta emprego 19% abaixo do esperado entre jovens de 22 a 25 anos em funções muito expostas à IA, mas os autores alertam que não se trata de relação causal demonstrada.

O que um gestor de marketing deve fazer com esse dado?

Tratar a percepção do time sobre IA e empregos como variável de adoção. Explicitar a política sobre IA e headcount, medir o tempo de revisão além do tempo de geração e preservar vagas de entrada com escopo redesenhado são as três ações de maior retorno imediato.

Conteúdos Relacionados

Compartilhar esse post
Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Leia também:

Mais lidas

Carregando posts...

Conteúdos Relacionados:

Receba conteúdos exclusivos e novidades

Estratégia e resultados baseados em dados.

Rolar para cima