Sundar Pichai, CEO do Google, disse em entrevista a Alex Heath que espera ver agentes de IA acessando sites de duas formas: navegando pelas páginas como uma pessoa e usando protocolos feitos para máquinas. Ele também descreveu uma camada agêntica que unirá Busca, AI Overviews e Gemini. O Search Engine Journal e outro texto do mesmo veículo resumem os dois trechos.
Para quem vende online, a pergunta deixa de ser teórica: quem visita a sua loja quando o cliente é um agente? Este texto separa o que Pichai afirmou, o que o Google já documenta para sites e o que preparar.
As falas seguem o relato do Search Engine Journal, que registra inconsistências na transcrição. Vale conferir os trechos no vídeo da entrevista antes de citá-los.
Dois caminhos para o agente chegar ao seu site
Segundo o relato, Pichai chamou os protocolos de uma abordagem muito mais escalável, que funcionaria em qualquer lugar e de forma instantânea, mas que levará mais tempo para ser desenvolvida. Já a navegação, em que o agente usa o computador como o usuário, foi descrita como elegante por espelhar o que as pessoas fazem e manter o usuário no circuito.
Ele reconheceu que a transição será caótica, com a tecnologia à frente do ecossistema, e disse esperar que o setor caminhe para padrões mais interoperáveis. Sobre anúncios, afirmou que os usuários vêm primeiro e que o mercado chegará a um novo equilíbrio, sem explicar como a publicidade funciona quando o agente navega.
A resposta certa, no longo prazo, é colocar os usuários em primeiro lugar.
Sundar Pichai, em entrevista a Alex Heath, conforme o Search Engine Journal
A tabela compara os dois caminhos com base no que foi relatado.
| Caminho | Como o agente age | O que Pichai destacou | Limite apontado |
|---|---|---|---|
| Navegação | Abre e lê as páginas como uma pessoa | Elegante e mantém o usuário no circuito | Depende de as páginas serem legíveis para o agente |
| Protocolos (MCP, UCP, pagamento) | Chama ferramentas e ações definidas por padrões abertos | Abordagem muito mais escalável | Leva mais tempo para ser desenvolvida |
A camada agêntica: uma caixa só
No segundo trecho, Pichai descreve a visão de uma caixa única. Os agentes dariam a experiência unificada entre Busca, AI Overviews e Gemini, sem fundir os produtos. Agentes corporativos e de consumo usariam o mesmo modelo, a mesma estrutura e o mesmo ambiente de execução; muda apenas o contexto pessoal ou da empresa.
Nossa visão, no futuro próximo, é uma caixa só.
Sundar Pichai, em entrevista a Alex Heath, conforme o Search Engine Journal
Ele afirmou que os dados do Google mostram uma parcela crescente de consultas voltadas a tarefas no Gemini e que esses recursos chegarão à Busca de forma bem profunda. O veículo levanta a dúvida natural: sobra espaço para o tráfego de pessoas quando um agente conclui a tarefa? A entrevista, como relatada, não responde. Tratamos isso como risco de medição, não como previsão.
O que o Google já publica para sites
Há documentação concreta. O Google-Agent, descrito na documentação oficial dos fetchers acionados por usuário, é usado por agentes hospedados na infraestrutura do Google que navegam e agem a pedido de alguém. Como o usuário iniciou o pedido, esses fetchers geralmente ignoram o robots.txt. O Google publica as faixas de IP em um arquivo próprio, avisa que o user agent pode ser falsificado e testa o Web Bot Auth, com a identidade agent.bot.goog.
Na camada de protocolos, a página para comerciantes do UCP descreve um padrão aberto de comércio que leva a interação com IA à compra direta, hoje no AI Mode e na versão web do Gemini. O comerciante usa os feeds do Merchant Center, entra por lista de espera e escolhe entre checkout nativo (o padrão) e embutido (opcional, para casos aprovados). Segundo a página, o lojista segue como comerciante registrado e mantém os dados e o relacionamento com o cliente. A página não lista países. Veja o contexto no texto sobre o Universal Cart do Google e na análise de como a Shopify abriu o checkout para agentes de IA.
As regras ainda são disputadas. O SEJ lembra que a Amazon bloqueou em setembro o agente Muse, da Meta, porque ele não se identificava ao navegar, conforme a GeekWire. É o mesmo debate que tratamos em agentes de compra bloqueados.

O que preparar agora
Nada abaixo depende de uma previsão. São passos de baixo custo que servem para os dois caminhos descritos por Pichai.
- 1IdentificarSeparar nos logs o Google-Agent pelas faixas de IP publicadas, sem confiar só no user agent
- 2EstruturarManter o feed do Merchant Center completo, atual e coerente com o site
- 3DecidirAvaliar a lista de espera do UCP e o impacto no checkout
- 4MedirRegistrar visitas e conversões atribuíveis a agentes e comparar com o tráfego humano
Dois cuidados completam o quadro. O robots.txt não é uma barreira para fetchers acionados por usuário, então regras de acesso exigem outros controles. E a visibilidade em respostas de IA segue o que descrevemos na auditoria de GEO. Produtos de agente como o Claude Duet reforçam a mesma direção: o agente age em nome do usuário.
O que ainda não se sabe: como os anúncios funcionarão com agentes navegando, em quais países o UCP chega e quando os recursos agênticos se tornarão amplos na Busca. Por ora, vale tratar a camada agêntica como um segundo tipo de visitante a ser observado.
Perguntas frequentes
O que Sundar Pichai disse sobre agentes de IA e sites?
Disse esperar que agentes acessem sites navegando como pessoas e também por protocolos feitos para eles. Para ele, protocolos escalam melhor, mas levam mais tempo; a navegação mantém o usuário no circuito. O relato é do Search Engine Journal.
O robots.txt bloqueia o Google-Agent?
Em geral, não. A documentação do Google classifica o Google-Agent como fetcher acionado por usuário e diz que esses fetchers geralmente ignoram o robots.txt, porque a pessoa pediu a busca.
Como identificar o tráfego do Google-Agent?
O Google publica as faixas de IP e orienta verificar a origem, já que o user agent pode ser falsificado. O Google também testa o Web Bot Auth, com a identidade agent.bot.goog.
O que é o UCP?
É um padrão aberto de comércio descrito pelo Google que permite levar uma interação com IA à compra direta, hoje no AI Mode e no Gemini web. O comerciante usa o Merchant Center e entra por lista de espera. A página não lista países.
A camada agêntica reduz a importância do SEO?
A entrevista, como relatada, não responde a essa pergunta. O que se pode afirmar é que a visibilidade passa a depender também de dados estruturados, feeds e de ser acessível a agentes, além dos links tradicionais.



