Em 16 de setembro o Google mexeu três vezes no mesmo produto em um único dia. O Perfil de Busca do Google, a página verificada que reúne site, redes sociais e artigos de um publisher ou criador, passou a aceitar quem tem 10 mil seguidores, ganhou gestão de várias marcas em um só login e recebeu um novo desenho para a listagem de artigos. Quem anunciou foi Ibrahim Badr, gerente de produto da Busca, no blog oficial do Google.
Poucas horas depois veio a peça que faltava: o Search Central publicou a documentação de como adicionar o selo do Perfil de Busca ao seu site. É um botão que leva o leitor da sua página direto para o perfil, com o convite implícito de seguir você. O detalhe importa, porque quem segue um Perfil de Busca passa a ver mais conteúdo daquela fonte no Google Discover.
O recurso ainda está restrito aos Estados Unidos, e é justamente por isso que vale ler o movimento agora, antes que ele chegue ao Brasil. Existe uma tese de distribuição por trás dessas três mudanças, e ela diz muito sobre o que o Google espera que a sua marca faça nos próximos meses.
O que mudou no Perfil de Busca do Google em 16 de setembro
São três entregas distintas, e cada uma resolve um atrito diferente.
- Elegibilidade a partir de 10 mil seguidores. A contagem é por conta, então 10 mil seguidores em qualquer uma das quatro plataformas (YouTube, Instagram, X ou TikTok) já qualificam. Em junho, quando o produto nasceu, o piso era de 100 mil no YouTube, Instagram e X e de 300 mil no TikTok, conforme registrou a Search Engine Journal.
- Multiconta. Grupos de mídia que administram várias publicações podem reivindicar e gerenciar os perfis de todas as submarcas em um único login. A regra anterior exigia uma conta Google separada por perfil.
- Nova exibição de artigos. As miniaturas foram otimizadas e os títulos ganharam mais caracteres, com o argumento declarado de melhorar a leitura.
A imagem que o Google usou para anunciar a mudança mostra bem a anatomia do recurso: à esquerda, o perfil da CNET com capa, arroba, total de seguidores, botão de seguir e contagem por plataforma; à direita, o painel que alterna entre os perfis administrados pela mesma conta.

Vale registrar a velocidade: em quinze semanas o limite de seguidores mudou três vezes, como acompanhou o Search Engine Roundtable. Se você olhou a página de ajuda em agosto e concluiu que não se qualificava, olhe de novo.
Mais publishers e criadores dos Estados Unidos estão elegíveis para os Perfis de Busca. Reduzimos o limite de elegibilidade para 10 mil seguidores no YouTube, Instagram, X ou TikTok.
Ibrahim Badr, gerente de produto da Busca do Google
O Google também publicou uma demonstração curta do gerenciamento de várias marcas em um único login, que é a parte mais difícil de entender só no texto.
Como o selo do Perfil de Busca funciona na prática
A documentação oficial é curta e direta. Depois de reivindicar o perfil, você localiza a URL no padrão https://profile.google.com/@handle, baixa os ativos do selo e insere um trecho de HTML na página. Existe também uma alternativa em texto, pensada para assinaturas de autor, newsletters e páginas de bio.
O Google pede cuidado com quatro pontos de marca: área clicável de no mínimo 48 por 48 dp no Android e 44 por 44 px no iOS e na web, nenhuma distorção do ícone, coerência entre selos monocromáticos e coloridos e distinção clara em relação ao selo de Preferred Sources quando os dois convivem na mesma página.
Vale olhar para onde o selo leva o leitor. O perfil do IGN divulgado pelo Google mostra o botão de seguir em destaque, os seguidores por plataforma e a nova exibição de artigos, com miniaturas maiores e títulos mais longos.


Por que o selo apareceu exatamente agora
A leitura mais honesta é a que a Search Engine Journal fez em análise publicada no mesmo dia: o selo é sintoma e resposta à queda de tráfego provocada pela busca com IA. Se as respostas geradas devolvessem mais visitas, não haveria motivo para o Google construir um caminho paralelo de audiência baseado em seguidores.
Esse pano de fundo não é novo por aqui. Já tratamos do momento em que publishers passaram a estudar bloquear o Google porque a conta parou de fechar e do teste em que o Google avalia pagar sites por conteúdo usado em respostas de IA. O Perfil de Busca entra na mesma prateleira: são tentativas de recompor uma relação que a própria camada de IA desequilibrou.
A consequência prática para quem produz conteúdo é que o Google está migrando parte da distribuição de um modelo de consulta para um modelo de assinatura. Quem já vinha construindo audiência própria chega na frente.
O que o Perfil de Busca não faz
Aqui é onde muita gente vai errar. A própria documentação do Google afirma que criar um Perfil de Busca não afeta diretamente o ranqueamento do seu conteúdo na Busca. O ganho do Perfil de Busca do Google é de distribuição no Discover, não de posição orgânica.
Traduzindo para a rotina: o perfil não substitui trabalho técnico, não compensa conteúdo raso e não muda os sinais que decidem a sua posição em uma SERP. Se a sua dúvida hoje é o que de fato move ranking, o caminho continua sendo a leitura dos fatores de ranqueamento em 2026. O perfil é uma camada de audiência colocada em cima disso.
Perfil de Busca e Preferred Sources não são a mesma coisa
A confusão é compreensível porque os dois recursos usam selos e os dois aparecem na Busca. A diferença está em o que o leitor está assinando.
| Critério | Perfil de Busca | Preferred Sources |
|---|---|---|
| O que é | Página verificada que reúne site, redes e artigos da fonte | Marcação que prioriza a fonte em Top Stories |
| O que o leitor faz | Segue a fonte | Escolhe a fonte como preferida |
| Onde o efeito aparece | Google Discover | Resultados de notícias na Busca |
| Requisito de entrada | 10 mil seguidores em YouTube, Instagram, X ou TikTok | Não exige limite de seguidores |
| Efeito em ranking | Nenhum efeito direto, segundo o Google | Personaliza a exibição para quem escolheu |
O que fazer com o Perfil de Busca do Google fora dos Estados Unidos
Nenhuma das alavancas do Perfil de Busca do Google depende de o recurso ser liberado no Brasil. Todas ficam prontas antes.
- Meça o seu piso de seguidores. Some os números de YouTube, Instagram, X e TikTok e identifique qual canal chega mais perto de 10 mil. Não é a soma que conta, é o maior isolado.
- Padronize identidade entre canais. Nome, foto, descrição e link do site precisam ser os mesmos em todas as plataformas. O perfil consolida o que existe, não corrige o que está bagunçado.
- Defina o handle antes de precisar dele. O endereço do perfil segue o padrão
@handle. Vale garantir coerência com os nomes que você já usa. - Prepare o espaço do selo. Decida agora onde o botão entra: rodapé, assinatura de autor ou página sobre. Quando o recurso abrir, é implementação de minutos.
- Separe o relatório do Discover. No Search Console, isole a aba de Discover e crie a série histórica. Sem base de comparação, você não vai saber se o perfil mudou algo. Nossa leitura do Platform Properties no Search Console ajuda a organizar essa medição.
Quem acompanhou a virada do Discover para criadores e perfis já viu o roteiro se desenhando desde o começo do ano. O que mudou em setembro foi o Google baixar a porta de entrada e entregar a peça de conversão, que é o selo.
Perguntas frequentes
Preciso de 10 mil seguidores somados em todas as redes?
Não. A contagem é por conta individual. Dez mil seguidores em apenas uma entre YouTube, Instagram, X ou TikTok já atendem ao critério atual.
O Perfil de Busca melhora meu ranqueamento no Google?
Não diretamente. A documentação do Google afirma que criar um perfil não afeta o ranqueamento do conteúdo na Busca. O efeito esperado está na entrega do Google Discover para quem segue a fonte.
O recurso já está disponível no Brasil?
Ainda não. Os Perfis de Busca seguem restritos aos Estados Unidos. O Google sinalizou intenção de expandir para mais países, sem prazo divulgado.
Posso usar o selo do Perfil de Busca junto com o de Preferred Sources?
Pode, mas o Google pede distinção visual clara. A orientação é usar o botão de Perfil de Busca com rótulo, de maior ênfase, e evitar o ícone Super G isolado ao lado do selo de Preferred Sources.
Uma empresa com várias marcas precisa de uma conta Google para cada uma?
Não mais. Com o suporte a multiconta anunciado em setembro, é possível reivindicar e gerenciar os perfis de todas as submarcas a partir de um único login.



