A pesquisa anual da Orbit Media saiu no dia 8 de setembro e trouxe um número que incomoda: a performance autodeclarada do conteúdo caiu ao menor patamar em doze anos de série histórica. Ficou seis pontos abaixo do pior resultado já registrado até aqui.
No mesmo levantamento, 92,4% dos 1.042 profissionais ouvidos dizem usar inteligência artificial na produção. É tentador ligar uma coisa à outra e encerrar o assunto. Os dados, porém, apontam para outro lugar. A leitura de Andy Crestodina, que assina o relatório Blogging Statistics 2026, é que o problema não está na ferramenta, e sim no que foi abandonado pelo caminho.
A queda também foi noticiada pela Search Engine Land, e conversa com o que o Content Marketing Institute vem medindo no mercado B2B. Vale entender o que os números realmente dizem antes de reescrever o calendário editorial do trimestre.
O que a pesquisa com 1.042 profissionais encontrou
O indicador central é simples: quantos profissionais afirmam que o blog gera resultados fortes. Em 2022, eram 26%. Em 2026, são 13,9%. Praticamente metade.
- 13,9% relatam resultados fortes com o blog, contra 26% em 2022.
- 18,9% não sabem dizer se o blog gera resultado, a maior taxa da série, que costumava variar entre 9% e 14%.
- 92,4% usam IA na produção de conteúdo. Apenas 8% dizem não usar.
- O tempo médio de produção por post caiu para 3h20, ante o pico de 4h10 registrado em 2022.
- A economia estimada gira em torno de 50 horas por ano por profissional, considerando 57 posts anuais e cerca de 50 minutos a menos por texto.
Ou seja: o time ficou mais rápido e o resultado piorou. É exatamente o tipo de contradição que aparece quando se otimiza a variável errada. Já tratamos disso ao mostrar as horas de IA que o time de marketing não está contando.
A produção acelerou e o conteúdo encolheu
Quando se olha a série histórica lado a lado, o padrão fica visível. Tudo que exige esforço caiu, e o resultado caiu junto.
| Indicador | Melhor marca histórica | 2026 |
|---|---|---|
| Profissionais com resultados fortes | 26% em 2022 | 13,9% |
| Tamanho médio do post | 1.427 palavras em 2023 | 1.312 palavras |
| Tempo médio de produção por post | 4h10 em 2022 | 3h20 |
| Colaboração com influenciadores no conteúdo | 25% em 2017 | 7% |
| Uso de inteligência artificial na produção | Não medido no início da série | 92,4% |
A IA deixa você mais rápido, mas velocidade não é o ponto. Se a estratégia é fraca, você vai fracassar com ou sem IA.
Andy Crestodina, cofundador da Orbit Media Studios
Ann Handley, chief content officer da MarketingProfs, comenta o mesmo conjunto de dados de forma ainda mais direta.
A IA torna absurdamente fácil tirar esforço do processo. Todo mundo sabe disso. Mas esses dados são um lembrete de que precisamos ser muito (MUITO!) mais criteriosos sobre qual esforço a gente tira e qual a gente mantém.
Ann Handley, chief content officer da MarketingProfs
O que separa quem tem resultado forte
A Orbit Media acompanha oito práticas associadas aos programas de melhor desempenho. O achado mais duro da edição é que nenhum dos 1.042 respondentes usa as oito. E a diferença entre usar poucas e usar muitas é grande.

Duas práticas se destacam pelo retorno. A colaboração com especialistas e influenciadores dentro do conteúdo é o melhor preditor isolado de performance, com 2,6 vezes o benchmark geral, e mesmo assim a adoção despencou de 25% em 2017 para 7% em 2026. Publicar pesquisa original aumenta em cerca de 50% a chance de o conteúdo performar bem.
Há também um alerta sobre medição. Entre os 39% que acompanham principalmente métricas de volume, como número de posts publicados, apenas 11% relatam resultados fortes, abaixo do benchmark de 14%. Medir produção não é medir resultado, e isso vale ainda mais agora que os AI Overviews respondem 97% das People Also Ask e reduzem o clique disponível.
O que o Content Marketing Institute acrescenta
A pesquisa anual do Content Marketing Institute, feita com 1.015 profissionais de B2B, aponta na mesma direção com outra metodologia. Apenas 12% se classificam como altamente eficazes, contra 47% que se dizem razoavelmente eficazes. E o dado sobre IA merece atenção: 12% afirmam que a qualidade do conteúdo piorou depois da adoção, enquanto 39% dizem que a performance melhorou.
Não é uma condenação da IA. É a constatação de que ela amplifica o que já existe. Onde havia critério editorial, a produção ganhou escala. Onde não havia, ganhou volume sem direção, algo que também aparece quando se olha a confiança do consumidor na busca com IA.
O que fazer com isso no calendário editorial
Cinco decisões práticas cobrem a maior parte da distância entre o benchmark de 14% e os 39% de quem adota seis ou mais práticas.
- Reduza a frequência e realoque o tempo. Menos textos com pesquisa própria valem mais do que muitos textos genéricos.
- Traga uma fonte humana para dentro do artigo. Uma entrevista curta com um especialista da casa já muda a natureza do conteúdo.
- Publique dado próprio. Uma amostra pequena e bem descrita é suficiente para gerar citação e link.
- Troque a métrica do relatório. Saia de posts publicados e vá para leads, receita assistida e citações em buscadores de IA.
- Estabeleça um mínimo de revisão humana. A IA pode escrever o rascunho, mas a checagem de fato e a tese precisam ter dono.
A discussão sobre eficácia de conteúdo em ambientes de IA ainda está aberta, como mostramos ao revisar o que dizem 45 estudos sobre a eficácia da GEO. O que a pesquisa da Orbit Media sugere é que os fundamentos continuam decidindo o jogo.
Perguntas frequentes
A inteligência artificial é a causa da queda na performance de conteúdo?
Os dados não sustentam essa conclusão. A pesquisa mostra que a queda coincide com o abandono de práticas comprovadas, como colaboração com especialistas e publicação de pesquisa original. A IA acelerou a produção, mas quem manteve os fundamentos continua relatando resultados fortes.
Quantos profissionais participaram da pesquisa da Orbit Media?
Foram 1.042 profissionais de conteúdo na edição de 2026, publicada em 8 de setembro. É a mesma metodologia usada há doze anos, o que permite comparar a série histórica.
Qual o tamanho ideal de um post hoje?
A pesquisa não define um tamanho ideal, mas registra que o post médio caiu para 1.312 palavras, ante 1.427 em 2023. O que separa os melhores resultados não é a contagem de palavras e sim a presença de pesquisa própria e de fontes especializadas.
Vale a pena publicar menos e com mais profundidade?
Os dados apontam nessa direção. Quem adota seis ou mais das oito práticas mapeadas relata resultados fortes em 39% dos casos, contra 4% de quem adota uma ou nenhuma. Profundidade e originalidade pesam mais do que frequência.
Como medir resultado de conteúdo sem depender de tráfego orgânico?
Vale acompanhar leads gerados, receita assistida, menções e citações em buscadores de IA, além de conversões de páginas específicas. Métricas de volume, como número de posts, se mostraram associadas a performance abaixo da média.



