Em 23 de setembro de 2026 o Google publicou as release notes da Google Ads API v25.2, e dois dias depois, em 25/09, a novidade já estava sendo comentada por quem vive de mídia paga e mensuração. O motivo não é só mais uma versão de API: a v25.2 traz um novo tipo de dado que praticamente ninguém tinha acesso programático até agora, o percentil competitivo do anunciante frente a outros anunciantes, além de um pacote de melhorias em Performance Max que reduz trabalho manual de forma concreta, segundo o Search Engine Land.
No mesmo dia, a Microsoft também se movimentou: a Microsoft Ads API ganhou relatórios de busca mais detalhados e mais controles de Performance Max diretamente via API, segundo outra reportagem do Search Engine Land. Ou seja, as duas maiores plataformas de search pago do mercado escolheram a mesma semana para dar mais poder de automação e de leitura competitiva a quem gerencia campanhas via API.
Se você roda tráfego pago integrado a GA4, CRM e CRO, isso não é só “novidade de desenvolvedor”. É uma mudança na forma como se justifica investimento, se prioriza criativo e se conta a história de performance para o cliente ou para a diretoria. Vamos destrinchar o que muda na prática.
Percentil competitivo: o benchmark que finalmente diz “onde você está”, não só “o que você tem”
Benchmark não é novidade na Google Ads API. O que muda com a v25.2 é o formato do dado. A nova PercentileMetrics, exposta via BenchmarksService.GenerateBenchmarksMetrics, mostra a posição competitiva do cliente entre outros anunciantes em formato de percentil, e exige PERCENTILE_DATA como informação suplementar na chamada. Segundo o anúncio oficial no Google Ads Developers Blog, também é preciso definir benchmarks_source como ALL_ADVERTISERS e informar um category_filter, que delimita o grupo de anunciantes usado na comparação.
A diferença prática é grande. Um benchmark genérico entrega um número isolado: “CTR médio do seu segmento é X”. Isso é útil, mas estático, sem contexto competitivo real. Percentil é outra categoria de informação: ele responde “você está no percentil 30 ou no percentil 80 frente a quem compete pelo mesmo público?”. Essa é uma métrica acionável porque conecta o resultado da conta a uma posição relativa, o tipo de dado que historicamente só aparecia em relatórios de terceiros, pagos, com defasagem de semanas.
Na prática, isso abre caminho para dashboards de GA4 e mídia paga que trazem, lado a lado, a métrica absoluta da conta e a posição competitiva, sem depender de ferramenta externa. Isso muda a conversa com o cliente: em vez de “sua taxa de conversão caiu 2%”, passa a ser “sua taxa de conversão caiu 2%, mas você subiu do percentil 40 para o percentil 55 frente ao seu mercado”, uma narrativa muito mais defensável em reunião de resultado.
Performance Max: gerar rascunho de campanha a partir de uma Smart Campaign
A segunda mudança relevante da v25.2 é o método SmartCampaignSettingService.GeneratePMaxDraftCampaign. Segundo o anúncio oficial no Google Ads Developers Blog, esse recurso permite gerar programaticamente um rascunho de campanha de Performance Max diretamente a partir de uma Smart Campaign já existente.
Na prática, isso ataca um dos maiores atritos de quem ainda opera Smart Campaigns: a migração manual para o Performance Max. Até agora, sair de uma Smart Campaign significava recriar a estrutura de campanha do zero, um trabalho repetitivo para agências e times internos que administram muitas contas pequenas ao mesmo tempo. Com a geração automática de rascunho via API, esse caminho de upgrade pode ser orquestrado em lote, o que reduz bastante o tempo de configuração manual.
Isso não elimina a necessidade de revisar públicos, orçamento e sinais de conversão depois que o rascunho é gerado, mas tira do caminho o trabalho repetitivo de montar a estrutura do zero. Para quem gerencia carteiras grandes de Smart Campaigns, sobretudo pequenos anunciantes locais, esse é um caminho de migração para o Performance Max bem mais viável do que era antes.
Rastreamento no nível de grupo de assets e novidades para hotéis
A v25.2 também move parâmetros de rastreamento e templates de URL para o nível de grupo de assets (asset group) dentro do Performance Max. Até então, esse tipo de configuração costumava ser tratada em um nível mais amplo da campanha, o que limitava a granularidade de atribuição quando uma mesma campanha atendia a diferentes linhas de produto ou públicos. Agora dá para segmentar parâmetros UTM e templates de rastreamento por grupo de assets, o que melhora diretamente a qualidade dos dados que chegam ao GA4 e a qualquer ferramenta de atribuição.
Para o setor de hotelaria, a API traz novos segmentos e métricas específicos: janela de antecedência de reserva, duração da estadia e datas de início de estadia. É um avanço relevante para quem gerencia campanhas de travel/hotéis, permitindo cruzar performance de mídia com o comportamento real de reserva. Vale mencionar também a chegada de ações de conversão de impressão de anúncio no Firebase, cobrindo Android e iOS, o que amplia a mensuração de conversão mobile diretamente na origem do app.
Microsoft Ads API também avança: mais dados de busca e mais controle de PMax
Do outro lado do search pago, a Microsoft Ads API anunciou, no mesmo dia, relatórios de busca mais profundos e mais controles de Performance Max acessíveis diretamente pela própria API do Microsoft Advertising. Isso reduz a dependência da interface manual do Microsoft Ads para ajustes finos de campanha e amplia a visibilidade sobre o desempenho de busca dentro do ecossistema Bing/Microsoft.
Para agências e times que gerenciam conta em múltiplas plataformas, essa sincronia de datas não é coincidência de calendário, é sinal de mercado: Google e Microsoft estão competindo diretamente na capacidade de automação via API, o que tende a acelerar o ritmo de novidades nos próximos trimestres.

Google Ads API v25.2 x Microsoft Ads API: o que muda na prática
| Recurso novo | Plataforma | O que muda na prática |
|---|---|---|
| PercentileMetrics (BenchmarksService) | Google Ads API v25.2 | Mostra o percentil competitivo da conta frente a outros anunciantes, não só uma média isolada |
| GeneratePMaxDraftCampaign (SmartCampaignSettingService) | Google Ads API v25.2 | Gera programaticamente um rascunho de campanha de Performance Max a partir de uma Smart Campaign existente |
| Templates e parâmetros de rastreamento por grupo de assets | Google Ads API v25.2 | Permite atribuição mais granular dentro de uma mesma campanha PMax |
| Métricas e segmentos de hotel | Google Ads API v25.2 | Cruza performance de mídia com antecedência e duração de reserva |
| Conversão de impressão de anúncio no Firebase | Google Ads API v25.2 | Amplia mensuração de conversão mobile (Android e iOS) na origem |
| Relatórios de busca mais profundos | Microsoft Ads API | Mais granularidade sobre desempenho de termos e consultas de busca via API |
| Mais controles de Performance Max | Microsoft Ads API | Reduz dependência da interface manual para ajustar campanhas PMax no Bing/Microsoft |
O que fazer já: checklist para quem gerencia PMax, Search e analytics
Mídia paga
- Avaliar com o time técnico ou parceiro de API se vale a pena consumir
PercentileMetricspara reportes de posicionamento competitivo - Mapear as Smart Campaigns da carteira que já podem migrar para Performance Max usando o
GeneratePMaxDraftCampaign, revisando cada rascunho antes de publicar - Revisar templates de rastreamento no nível de grupo de assets, e não mais só no nível de campanha
- Se a conta atua com hotéis ou travel, mapear como as novas métricas de antecedência e duração de estadia entram no relatório atual
Analytics e mensuração
- Validar se as conversões de impressão de anúncio via Firebase já estão configuradas corretamente em Android e iOS
- Checar se os novos parâmetros por grupo de assets estão sendo corretamente lidos como parâmetros UTM no GA4
- Conversar com quem cuida de CRO sobre a relação entre riqueza de conteúdo na landing page e qualidade dos vídeos gerados automaticamente
O que isso significa para a estratégia de negócio
O ponto central aqui não é a lista de features em si, é a mudança de postura das duas plataformas: elas estão entregando, via API, dados que antes exigiam ferramentas pagas de terceiros (posição competitiva) e automações que antes exigiam produção manual de criativo (vídeo). Isso reduz custo operacional para quem já tem a estrutura técnica de integração, e amplia a distância competitiva entre quem consome esses dados de forma sistemática e quem continua operando só pela interface visual das plataformas.
Para quem já trabalha com GA4, CRM e mídia paga de forma integrada, a v25.2 e as novidades da Microsoft Ads API são um convite a olhar de novo para a arquitetura de dados: onde entra o percentil competitivo no relatório mensal, como o rascunho automático de Performance Max muda o fluxo de migração das Smart Campaigns, e como os novos parâmetros de rastreamento por grupo de assets melhoram a granularidade da atribuição no funil completo.
Perguntas frequentes
O que é o PercentileMetrics da Google Ads API v25.2?
É um recurso do BenchmarksService que mostra em qual percentil o anunciante está posicionado frente a outros anunciantes, e não apenas uma média isolada de desempenho. Ele exige o parâmetro PERCENTILE_DATA como informação suplementar na chamada.
O que é o GeneratePMaxDraftCampaign da Google Ads API v25.2?
É um método do SmartCampaignSettingService que gera programaticamente um rascunho de campanha de Performance Max a partir de uma Smart Campaign já existente, facilitando a migração em lote para quem administra muitas contas pequenas.
O que muda com os parâmetros de rastreamento por grupo de assets?
Antes, templates e parâmetros de rastreamento costumavam ficar em um nível mais amplo da campanha. Agora é possível configurá-los por grupo de assets, o que melhora a granularidade da atribuição quando uma campanha PMax atende produtos ou públicos diferentes.
A Microsoft Ads API trouxe novidades parecidas com a do Google?
Sim, no mesmo dia a Microsoft Ads API anunciou relatórios de busca mais profundos e mais controles de Performance Max acessíveis diretamente pela API, reduzindo a dependência da interface manual do Microsoft Advertising.
Isso afeta a mensuração no GA4?
Sim, de forma indireta. Parâmetros de rastreamento mais granulares e novas ações de conversão de impressão via Firebase impactam diretamente a qualidade dos dados que chegam ao GA4 e a outras ferramentas de atribuição.



