O Google publicou no dia 10 de setembro um pacote de novidades de medição que vale a leitura com calma, porque ele mexe em três pontos que costumam travar a operação de marketing no Brasil: a qualidade do dado que sai do site, a quantidade de sinais que alimentam a IA de lances e a prova de que o investimento realmente gerou venda. O anúncio saiu no blog oficial do Google Ads, assinado por Nipoon Malhotra, vice-presidente de Ads Analytics, Insights e Measurement.
São três frentes. O Data Manager passa a viver dentro do Google Analytics e do Display & Video 360. O Google Ads ganha uma métrica nova, a Data Strength Uplift, que estima quantas conversões a sua configuração de dados primários recuperou. E o Meridian GeoX, a biblioteca de experimentos geográficos do modelo de mix aberto do Google, sai do beta e fica disponível globalmente.
Nenhuma dessas novidades resolve sozinha o problema de atribuição que a maioria das empresas tem. Juntas, porém, elas desenham um caminho bem claro: primeiro arrumar a coleta, depois ampliar os sinais e só então gastar dinheiro com experimento para provar incrementalidade. É nessa ordem que o material faz sentido, e é assim que recomendo tratar o assunto na sua conta.
Data Manager entra no GA e no DV360
O Data Manager já era o ponto central para conectar dados de CRM, dados offline e eventos de aplicativo ao Google Ads. Agora ele passa a ser integrado diretamente ao Google Analytics e ao DV360, o que reduz o retrabalho de configurar a mesma conexão três vezes em três produtos diferentes.
O Google afirma que anunciantes que conectam dados offline e de aplicativo ao Data Manager observam, em média, aumento de 26% no ROAS incremental. As conversões aprimoradas também chegam ao GA e ao DV360, e aqui o número divulgado é de 11% de aumento médio em conversões de Pesquisa na comparação com a importação padrão de conversões. Vale registrar que são médias informadas pela própria plataforma, não resultados auditados por terceiros, então trate como indicativo de direção e não como promessa.
Duas mudanças técnicas acompanham o pacote. A API do Data Manager passou a adotar o padrão ECAPI, do IAB Tech Lab, o que significa um contrato único para enviar eventos e conversões a várias plataformas de mídia em vez de um pipeline dedicado para cada uma. E o Data Manager ganhou diagnósticos embutidos, capazes de identificar problemas de dados antes que eles afetem a performance da campanha. Quem já apanhou para descobrir por que a contagem de conversões não bate entre as plataformas sabe o quanto esse tipo de alerta antecipado economiza tempo.
Data Strength Uplift: a métrica que mede a sua própria coleta
A Data Strength Uplift é o item mais interessante do anúncio para quem trabalha com implementação. Ela calcula quantas conversões adicionais a sua configuração de dados primários recuperou, ou seja, quantas conversões só apareceram no relatório porque você implementou conversões aprimoradas, melhorou o etiquetamento ou conectou mais uma fonte de dado.
Esse era um buraco antigo. Quando o time de dados sobe uma melhoria de rastreamento e as conversões sobem na semana seguinte, quase nunca dá para separar o que foi recuperação de medição do que foi aumento real de demanda. A nova métrica tenta responder exatamente a isso. Segundo o Google, anunciantes que reforçam a base de dados com o Google tag gateway observam em média 14% de aumento de conversões, e mais de 20% em campanhas Demand Gen.
A ressalva que a análise do Search Engine Journal faz é a mesma que costumo fazer em auditoria: recuperar mais conversões não diz nada sobre a qualidade delas. Uma contagem mais completa é útil, mas o que decide o resultado do negócio é enviar de volta o sinal certo, com receita, margem e qualidade de lead. Se a sua conta ainda otimiza para um evento genérico de formulário enviado, a métrica nova vai apenas mostrar que você recuperou mais formulários genéricos.
| Recurso | O que resolve | Primeira ação recomendada |
|---|---|---|
| Data Manager no GA e no DV360 | Conexão duplicada de CRM e dado offline em cada produto | Mapear quais fontes hoje entram só no Ads e replicar no GA4 |
| API universal com padrão ECAPI | Pipeline específico por plataforma de mídia | Avaliar com o time de engenharia a troca dos conectores próprios |
| Data Strength Uplift | Não saber quanto a melhoria de coleta rendeu | Registrar a data de cada melhoria e ler a métrica por período |
| Sinais de marca no Meridian | Efeito de vídeo e TV que não aparece na conversão imediata | Levantar a série histórica de busca por termos da marca |
| Meridian GeoX | Modelo de mix sem prova causal | Escolher um canal em dúvida e desenhar o primeiro geoexperimento |

Meridian GeoX: experimento geográfico dentro do modelo de mix
O Meridian é o modelo de mix de marketing aberto do Google. O GeoX é a biblioteca que roda experimentos geográficos dentro dele, criando áreas de teste e de controle para estimar o impacto incremental da mídia. A novidade é que o recurso saiu do beta e ficou disponível globalmente, como o Google descreve no anúncio do Meridian GeoX.
Dois pontos importam mais que o resto. O primeiro é que o GeoX funciona para qualquer plataforma, não apenas para mídia Google, o que permite testar um canal de terceiros e levar o resultado para dentro do mesmo modelo. O segundo é que o resultado do experimento pode calibrar o próprio Meridian, dando ao modelo uma evidência causal em vez de apenas correlação histórica.
Agora o GeoX está disponível de forma geral e global no Meridian, para que você possa começar a rodar experimentos independentes ou incorporar resultados de incrementalidade ao seu modelo de mix e ajudar a aumentar a precisão.
Nipoon Malhotra, vice-presidente de Ads Analytics, Insights e Measurement do Google
Há um custo real nisso, e é honesto dizer. O Meridian é gratuito e de código aberto, mas exige gente, dado diário organizado, variação geográfica suficiente e infraestrutura de cálculo, com recomendação de GPU. Além disso, o experimento em si custa mídia: para criar as condições do teste, você quase sempre precisa aumentar, reduzir ou suspender investimento em praças selecionadas. Ou seja, é uma ferramenta para quem já tem escala e maturidade de dado, e não um atalho para quem ainda está arrumando o consentimento e a coleta server-side.
Sinais de marca e capacidades agênticas
O Meridian também passou a aceitar sinais de marca dentro do modelo, com destaque para o volume de busca por termos da marca no Google. A ideia é capturar o efeito de longo prazo do investimento de topo: uma campanha de TV ou de vídeo pode aumentar o interesse semanas antes de esse interesse virar pedido.
O cuidado analítico continua o mesmo. Um pico de busca de marca não prova, sozinho, que a campanha causou vendas futuras. Sazonalidade, promoção, ação de concorrente e cobertura de imprensa mexem na mesma série. O sinal ajuda o modelo, mas não substitui o desenho de teste.
Por fim, o Google incluiu recursos agênticos no Meridian para auditar qualidade de dado, resolver erros e orientar a construção do modelo em tempo real, além de mexer no back-end para deixar as análises mais rápidas. É o mesmo movimento que a plataforma vem fazendo em outras frentes, da automação de lances ao rótulo de anúncios criados com IA. Ajuda no operacional, mas não decide por você quais dados de negócio entram no modelo nem quanta confiança depositar no resultado.
Por onde começar na prática
Se eu tivesse que priorizar em uma conta média brasileira, seria assim. Primeiro, revisar a coleta e a leitura das origens de tráfego no GA4, porque sinal sujo contamina tudo o que vem depois. Segundo, conectar o CRM e o dado offline pelo Data Manager e acompanhar a Data Strength Uplift por período, marcando no calendário cada mudança de implementação. Terceiro, e só quando os dois primeiros estiverem estáveis, desenhar um geoexperimento para o canal sobre o qual a diretoria tem mais dúvida.
Também é útil comparar esse pacote com o que a Search Engine Land descreveu sobre as ferramentas de medição e com a leitura da PPC Land sobre a métrica de uplift. As três coberturas convergem no essencial e divergem só na ênfase, o que é um bom sinal de que os números divulgados são os mesmos em todas as fontes.
A pergunta que fica para o seu time não é se essas ferramentas funcionam. É se a sua empresa está disposta a defender uma decisão de verba com evidência de experimento em vez de com o gráfico bonito da plataforma. Essa parte nenhum lançamento resolve.
Perguntas frequentes
O que é o Meridian GeoX?
É a biblioteca aberta do Google para rodar experimentos geográficos de incrementalidade dentro do Meridian, o modelo de mix de marketing da empresa. Ela cria áreas de teste e de controle para estimar quanto de um resultado aconteceu por causa da mídia. Desde 10 de setembro de 2026 está disponível globalmente.
A Data Strength Uplift funciona em qualquer conta do Google Ads?
A métrica estima quantas conversões a sua configuração de dados primários recuperou, então ela depende de você ter conversões aprimoradas, etiquetamento consistente e fontes de dado conectadas. Em contas com coleta frágil o número tende a ser pouco informativo.
Preciso pagar para usar o Meridian?
O Meridian é gratuito e de código aberto, não há licença de software. Os custos estão em pessoas, dados, infraestrutura de cálculo, com recomendação de GPU, e na mídia necessária para rodar o experimento.
Qual a diferença entre modelo de mix e experimento geográfico?
O modelo de mix estima a contribuição de cada investimento a partir da série histórica. O experimento geográfico testa uma hipótese específica em praças selecionadas e devolve uma evidência causal. O ideal é usar o experimento para calibrar o modelo.
O que muda com o padrão ECAPI na API do Data Manager?
O ECAPI é um padrão do IAB Tech Lab para envio de eventos e conversões. Com ele, o mesmo contrato de integração serve para várias plataformas de mídia, o que reduz a manutenção de pipelines específicos para cada canal.



