IA generativa na Black Friday 2026 deixou de ser hipótese de slide de congresso e virou comportamento medido: uma pesquisa da LWSA/Tray em parceria com a Opinion Box mostra que 13% dos consumidores brasileiros já iniciam a busca de produtos em ferramentas como ChatGPT, Gemini e Claude, e que 45% dizem ter a decisão de compra influenciada por resumos de IA (os chamados AI Overviews) dentro dos buscadores. Os números foram divulgados por Pedro Fonseca, gerente de Marketing da Tray/LWSA, em reportagem do Central do Varejo e também em matéria da Startupi.
Para quem gerencia tráfego e catálogo de e-commerce, o dado que mais importa não é só o “quanto”, é o “quando”. A mesma pesquisa mostra que metade dos consumidores já pesquisa ofertas de Black Friday com mais de um mês de antecedência, segundo reportagem do Meio & Mensagem. Isso empurra a janela de otimização de ficha de produto e de conteúdo respondível para bem antes da data cheia, 27 de novembro de 2026. Se a IA generativa entra na descoberta e na decisão antes mesmo da compra, a pergunta prática vira: a sua ficha de produto está pronta para ser lida, resumida e recomendada por um modelo de linguagem?
Neste artigo eu reúno os dados da pesquisa da Tray/LWSA, comparo com um número de outra fonte que já mostrou impacto real desse tráfego na conversão, e fecho com um roteiro prático de GEO para quem ainda tem tempo de ajustar o catálogo antes da Black Friday.
O que a pesquisa da Tray/LWSA mostra sobre IA generativa na jornada de compra
A pesquisa foi conduzida pela LWSA, dona da Tray, em parceria com a Opinion Box, e mapeia como o consumidor brasileiro pretende se comportar na Black Friday 2026. O recorte mais relevante para quem trabalha com aquisição e conteúdo é o papel que a IA generativa já ocupa dentro da jornada, tanto na etapa de descoberta quanto na etapa de decisão.
13% já iniciam a busca de produtos em ChatGPT, Gemini e Claude
Segundo a Startupi, 13% dos entrevistados afirmam usar ferramentas como ChatGPT, Gemini ou Claude como ponto de partida para pesquisar produtos antes da Black Friday. O dado ganha peso quando se olha para dentro desse grupo: 63% dizem usar essa tecnologia com frequência para essa finalidade, o que indica um hábito já consolidado, não um teste pontual.
É um volume ainda pequeno perto de marketplaces (56%) e sites de marcas e lojas (42%) como canal de descoberta, mas é um canal que não existia como categoria de análise até pouco tempo atrás e que tende a crescer a cada edição de Black Friday.
45% dizem ser influenciados por resumos de IA na decisão de compra
O segundo dado é mais decisivo para quem cuida de conteúdo de produto: 45% dos consumidores afirmam ter a decisão de compra influenciada por resumos gerados por IA nos buscadores, os AI Overviews. Ou seja, quase metade do público já toma decisão a partir de um texto sintetizado por um modelo de linguagem, não a partir do clique direto no site da marca. Esse comportamento é o mesmo pano de fundo que já discutimos no estudo experimental sobre a queda de cliques no AI Mode do Google: quando a resposta aparece pronta na busca, o site só ganha a visita se a informação que sustenta aquele resumo vier, de fato, da própria ficha de produto.

Metade do público já pesquisa ofertas com mais de um mês de antecedência
A pesquisa também derruba a ideia de que a Black Friday é decidida na última semana. De acordo com o Meio & Mensagem, 50% dos consumidores começam a pesquisar ofertas com mais de um mês de antecedência, e 54% pretendem distribuir as compras ao longo de novembro, em vez de concentrar tudo no dia 27. Parte desse comportamento tem explicação financeira: 47% dizem reservar orçamento especificamente para a data e 34% guardam dinheiro nos meses anteriores, segundo a mesma reportagem.
Na prática, isso significa que a janela em que a ficha de produto, o conteúdo de comparação e as respostas prontas para IA precisam estar no ar não é a última semana de novembro. É agora, em setembro e outubro, quando o consumidor (e o modelo de IA que ele consulta) já está formando a primeira impressão sobre preço, especificação e confiabilidade da loja.
IA generativa converte mais: o que os dados da Tray têm (e não têm) em comum com a Adobe
Vale separar bem duas pesquisas diferentes para não misturar conclusões. A da Tray/LWSA com a Opinion Box mede intenção e influência: quantas pessoas dizem usar IA generativa para pesquisar e quantas dizem ser influenciadas por resumos de IA. Já um estudo separado da Adobe, sobre as festas de fim de ano de 2025, mediu comportamento real de conversão e encontrou que o tráfego vindo de ferramentas de IA generativa converteu 31% mais do que o tráfego médio do site no período.
São fontes, metodologias e períodos diferentes, e nenhuma das duas prova causalidade sobre a outra. Mas juntas, elas contam uma história consistente: o volume de tráfego vindo de IA generativa ainda é pequeno diante de marketplaces e busca orgânica tradicional, porém esse visitante chega mais adiante no funil, já com a decisão parcialmente tomada por um resumo que a IA gerou a partir do conteúdo do site. É o mesmo argumento que já defendemos ao falar de IA aplicada a CRO: tráfego qualificado por contexto converte melhor do que tráfego qualificado só por volume.
GEO na prática: como preparar a ficha de produto para aparecer bem em buscas por IA antes da Black Friday 2026
Se a IA generativa já entra na descoberta e na decisão, o trabalho de otimização deixa de ser só SEO tradicional e passa a incluir GEO (otimização para mecanismos generativos). Já detalhamos os fundamentos disso no guia sobre AEO, GEO e por que ainda é SEO, e para a Black Friday 2026 o recorte prático é este:
Estruture dados de produto pensando em modelos de linguagem
Preço, disponibilidade, variações, ficha técnica e política de troca precisam estar em dados estruturados (schema de Product, Offer e Review) e também em texto corrido claro na própria página. Um modelo de IA generativa resume o que consegue extrair com confiança. Se a informação está espalhada em imagem, PDF ou atendimento humano, ela simplesmente não entra no resumo.
Construa conteúdo que responde perguntas diretas
FAQs específicas de cada produto (não genéricas de loja), comparativos objetivos entre modelos e avaliações verificadas ajudam tanto o leitor humano quanto o modelo de IA que pode citar a página como fonte. Quanto mais a ficha de produto já responder “para quem serve”, “o que vem na caixa” e “qual a diferença para o modelo anterior”, maior a chance de aparecer em um resumo de IA em vez de ser só mais um link ignorado.
Garanta consistência entre canais de descoberta e conversão
A pesquisa da Tray mostra que descoberta e conversão frequentemente acontecem em canais diferentes: 56% descobrem em marketplaces, 42% em sites de marca, 21% no Instagram e 17% no TikTok, mas 55% pretendem fechar a compra no site próprio. Preço, nome do produto e estoque precisam bater entre esses canais, porque uma IA generativa que cruza informação de fontes diferentes pune inconsistência com menos confiança na resposta.
| Canal de descoberta | % dos consumidores | Implicação prática para o e-commerce |
|---|---|---|
| Marketplaces | 56% | Ficha de produto precisa vencer a concorrência dentro do próprio marketplace e ainda fornecer dados claros o suficiente para ser resumida por IA |
| Sites de marcas e lojas próprias | 42% | É o canal onde a marca tem controle total do dado estruturado, prioridade máxima para GEO |
| 21% | Conteúdo de descoberta precisa levar a uma página de produto já otimizada, não a um link genérico | |
| TikTok | 17% | Mesmo racional do Instagram, com atenção a especificações citadas no vídeo baterem com a ficha do produto |
| IA generativa (ChatGPT, Gemini, Claude) | 13% | Ainda pequeno em volume, mas cresce e exige conteúdo estruturado e respondível desde já |
Vale lembrar que descoberta e conversão nem sempre acontecem no mesmo lugar, e essa separação tende a ficar ainda mais evidente conforme assistentes de IA passam a intermediar parte da compra. Já mapeamos esse movimento no artigo sobre checkout nativo dentro do AI Mode do Google e do protocolo UCP do Gemini, que é o próximo passo depois do resumo de IA influenciar a decisão: o agente de IA também participar da finalização da compra.
“O consumidor pode descobrir um produto em uma rede social, buscar referências em um marketplace ou até recorrer à IA para apoiar sua decisão e concluir a compra em outro canal.”
Pedro Fonseca, gerente de Marketing da Tray/LWSA, à Startupi
Checklist rápido para os próximos dois meses
Com a antecedência de mais de um mês confirmada pela pesquisa, o prazo prático para ajustar catálogo e conteúdo antes do pico da Black Friday 2026 é curto. Três prioridades concentram a maior parte do resultado: revisar dados estruturados das fichas de produto com maior volume de busca, publicar ou atualizar FAQs de produto com linguagem direta e verificar se preço e estoque estão sincronizados entre site próprio, marketplace e redes sociais. Quem tratar isso como projeto de setembro e outubro chega em novembro com a ficha de produto já madura para aparecer bem tanto em busca tradicional quanto em resumo de IA generativa.
Perguntas frequentes
O que é GEO e por que ele importa para a Black Friday 2026?
GEO é a otimização de conteúdo para mecanismos de busca generativos, como ChatGPT, Gemini e AI Overviews. Ele importa porque a pesquisa da Tray/LWSA mostra que 45% dos consumidores já são influenciados por resumos de IA na decisão de compra, então a ficha de produto precisa ser lida e resumida corretamente por esses modelos.
A pesquisa da Tray e o dado da Adobe sobre conversão 31% maior são do mesmo estudo?
Não. São pesquisas diferentes, com metodologias e períodos distintos. A da Tray/LWSA com a Opinion Box mede intenção e influência do consumidor brasileiro na Black Friday 2026, enquanto o estudo da Adobe mediu conversão real do tráfego de IA generativa nas festas de fim de ano de 2025 nos Estados Unidos.
Quando devo começar a otimizar minhas fichas de produto para a Black Friday 2026?
O ideal é começar em setembro ou outubro, já que a pesquisa mostra que metade dos consumidores pesquisa ofertas com mais de um mês de antecedência. Deixar a otimização para a última semana de novembro significa perder parte da janela em que o consumidor e a IA generativa já estão formando a decisão.
IA generativa já é um canal relevante de tráfego para e-commerce no Brasil?
Ainda é pequeno perto de marketplaces e busca tradicional, com 13% dos consumidores iniciando buscas em ferramentas como ChatGPT, Gemini e Claude, mas o hábito já é frequente para 63% desse grupo. A tendência é de crescimento a cada edição de Black Friday.
O que muda na ficha de produto para aparecer bem em resumos de IA?
Dados estruturados de preço, especificação e disponibilidade, FAQs específicas do produto e consistência de informação entre canais fazem a diferença. Um modelo de IA só cita ou resume o que consegue extrair com confiança da página.



