A disputa mais observada entre jornalismo e inteligência artificial ganhou um novo capítulo. O New York Times ajustou a ação que move contra a OpenAI e a Microsoft desde 2023, mirando com mais força a conduta da Microsoft.
A mudança não altera o coração do caso, que segue sendo o uso de artigos do jornal para treinar modelos de IA. Mas revela uma estratégia jurídica mais afiada, desenhada para resistir a um cenário legal que ficou mais exigente.
Para quem acompanha IA, mídia e direitos autorais, o movimento é um termômetro do que vem pela frente na relação entre quem produz conteúdo e quem treina modelos.
O que mudou na ação
Em uma nova petição apresentada em 25 de junho de 2026, no Tribunal Distrital do Distrito Sul de Nova York, o jornal modificou a acusação contra a Microsoft e retirou outra que pesava sobre a OpenAI. A ação original, de dezembro de 2023, acusa as duas empresas de violar direitos autorais ao usar milhões de artigos do Times no treino de tecnologias de IA, incluindo o ChatGPT. Os detalhes foram divulgados pelo próprio New York Times e repercutidos no Brasil pelo Olhar Digital.
O que o Times reforçou e o que retirou
O diagrama abaixo resume os três movimentos da nova petição.

Contra a Microsoft, o jornal ampliou a acusação de infração contributiva: afirma que a empresa encorajou ativamente a OpenAI a treinar seus sistemas com artigos protegidos e forneceu serviços e infraestrutura sob medida para isso. Já a acusação secundária contra a OpenAI, ligada a usos feitos por terceiros, foi retirada.
Como alegamos há muito tempo, a Microsoft encorajou ativamente a OpenAI a roubar nossas obras protegidas por direitos autorais.
Graham James, porta-voz do New York Times
Por que a estratégia mudou
O ajuste tem um motivo técnico. Como apontaram análises especializadas, da MLex à Bloomberg Law, uma decisão da Suprema Corte elevou a régua da infração contributiva. Agora não basta demonstrar que a empresa sabia do uso indevido, é preciso provar que ela agiu intencionalmente para induzir a conduta. Daí o foco em mostrar que a Microsoft teria fornecido serviços feitos sob medida para o treino.
Por que isso importa para o mercado
Este é um dos casos mais longos e observados sobre IA e direitos autorais, e o Times não está sozinho: centenas de jornais movem ações semelhantes. Casos como o da Enciclopédia Britânica contra a OpenAI mostram que a disputa vai além da imprensa. O desfecho pode virar precedente sobre o que é aceitável no uso de conteúdo protegido para treinar modelos, com efeito direto sobre acordos de licenciamento. É o mesmo pano de fundo de quando tratamos do esforço de editoras para bloquear ou cobrar pelo acesso de crawlers de IA.
O que muda para quem produz conteúdo
Para editoras, marcas e produtores, o caso ajuda a antecipar cenários. Ele se soma a um problema maior, a crise de atribuição na era da IA, em que o conteúdo é reutilizado sem o devido crédito. A tabela resume os caminhos possíveis e suas implicações.
| Cenário | Implicação |
|---|---|
| Tribunal aceita a emenda | Microsoft enfrenta acusação mais direta e específica |
| Caso vira precedente | Define limites do treino com conteúdo protegido |
| Mais editoras processam | Aumenta a pressão por acordos de licenciamento |
| Vitória das empresas de IA | Reforça a tese de uso transformativo dos dados |
Onde o caso chegou em outubro de 2026
Desde a emenda de junho, a disputa avançou para a fase decisiva. Em 4 de setembro de 2026, o New York Times, a OpenAI e a Microsoft apresentaram pedidos cruzados de julgamento sumário diante do juiz Sidney Stein, cada lado pedindo que a questão do uso justo seja decidida sem ir a júri. A OpenAI sustenta que o pré-treino dos modelos com os artigos é uso justo e que as acusações sob o DMCA não se sustentam.
O governo americano entrou na conversa a favor das empresas de IA. O Departamento de Justiça protocolou manifestação de interesse afirmando que treinar modelos de linguagem com obras escritas é uso justo e altamente transformativo, posição que o Times rejeitou, argumentando que não há nada de transformativo em usar seu conteúdo sem pagamento para criar produtos que substituem o jornal.
O calendário segue apertado: as respostas da OpenAI e da Microsoft vencem em 23 de outubro de 2026, e as réplicas em 20 de novembro. Até aqui não há decisão de mérito, não há acordo e não há data de julgamento marcada.
O que observar daqui pra frente
O próximo marco é a decisão do juiz Sidney Stein sobre os pedidos de julgamento sumário. Em paralelo, vale acompanhar os acordos de licenciamento que vêm sendo fechados entre empresas de IA e veículos de imprensa, porque eles indicam o caminho de mercado mesmo antes de uma sentença. O tema também se conecta ao avanço regulatório global, como nos novos prazos do EU AI Act e no debate sobre a regulação da IA nos EUA.
Perguntas frequentes
O que o New York Times mudou na ação?
O jornal apresentou uma nova petição em 25 de junho de 2026, reforçando a acusação contra a Microsoft, retirando uma acusação secundária contra a OpenAI e mantendo a alegação central de uso indevido de seus artigos no treino de IA.
Por que a estratégia foi ajustada?
Uma decisão da Suprema Corte elevou a régua da infração contributiva. Agora não basta mostrar que a empresa sabia do uso, é preciso provar que ela agiu de forma intencional para induzir a conduta.
A ação contra a OpenAI acabou?
Não. O Times apenas retirou uma acusação secundária e concentrou o caso nos argumentos mais fortes. A alegação principal de violação de direitos autorais segue em pé contra as duas empresas.
Por que isso importa para quem produz conteúdo?
O caso pode virar precedente sobre o uso de material protegido no treino de modelos. O resultado tende a influenciar acordos de licenciamento e o equilíbrio entre editoras e empresas de IA.
Qual é o próximo passo do processo?
Em 4 de setembro de 2026 as partes apresentaram pedidos cruzados de julgamento sumário sobre uso justo diante do juiz Sidney Stein. As respostas da OpenAI e da Microsoft vencem em 23 de outubro de 2026 e as réplicas em 20 de novembro. Não há decisão de mérito nem data de julgamento.
O governo dos EUA se posicionou no caso?
Sim. O Departamento de Justiça protocolou manifestação de interesse sustentando que treinar modelos de IA com obras escritas é uso justo e altamente transformativo, posição favorável à OpenAI e à Microsoft e rejeitada pelo New York Times.



