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Google perde round contra a SerpApi: e as ferramentas de SEO?

NAVEGAÇÃO RÁPIDA

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Uma decisão judicial nos Estados Unidos acaba de mexer com um alicerce silencioso do mercado de SEO: a raspagem de resultados de busca. A juíza federal Yvonne Gonzalez Rogers aceitou o pedido da SerpApi e derrubou as alegações-chave de DMCA do processo que o Google moveu contra a empresa, conhecida por fornecer dados de SERP via API para ferramentas do mundo inteiro.

O caso, aberto pelo Google em dezembro, era acompanhado de perto pelo setor. Como registraram o Search Engine Land e o Search Engine Roundtable, praticamente toda ferramenta de monitoramento de posições, de análise de concorrência e de rastreio de AI Overviews depende, em algum grau, de raspagem de SERP.

Neste artigo, explicamos o que foi decidido, o que ainda está em aberto e por que esse processo importa para quem contrata ou opera ferramentas de SEO no Brasil.

O que a Justiça decidiu

No comunicado oficial da SerpApi, a empresa celebrou a concessão do motion to dismiss, o pedido de arquivamento das principais acusações. O tribunal considerou insuficientes as alegações do Google ligadas ao DMCA, inclusive as relacionadas ao contorno do sistema antirrobôs SearchGuard. Importante: não é o fim do caso. O Google recebeu 21 dias para emendar a queixa, desde que consiga demonstrar autorização dos detentores dos direitos sobre o conteúdo exibido nos resultados.

Linha do tempo do caso Google contra SerpApi, do processo em dezembro de 2025 à decisão de julho de 2026 e ao prazo de 21 dias para emenda
A linha do tempo do caso Google contra SerpApi | Imagem: Analytikos

Há uma ironia jurídica no centro da disputa: boa parte do que aparece numa página de resultados não é obra do Google, e sim trechos de sites de terceiros. Para sustentar violação de copyright, o Google precisaria falar em nome desses detentores de direitos, os mesmos publishers que hoje questionam o uso de seu conteúdo pela empresa, como mostramos no artigo sobre a pressão regulatória europeia sobre a Busca.

Por que isso importa para quem faz SEO

O mercado inteiro de inteligência de busca se apoia em dados coletados das SERPs. Monitoramento de posições, share de AI Overviews, análise de concorrentes, tudo isso nasce de raspagem em escala, já que o Google não fornece esses dados por API oficial. Uma vitória ampla do Google criaria precedente para asfixiar juridicamente essa cadeia de fornecedores, encarecendo ou inviabilizando ferramentas que sua operação usa todos os dias, inclusive para medir visibilidade na busca com IA.

A decisão preserva, por ora, o status quo: a raspagem de SERP segue em zona cinzenta, nem legalizada em definitivo, nem proibida. E o contexto amplia o interesse do caso: o mesmo Google que processa quem raspa seus resultados opera rastreadores cada vez mais agressivos, como o Gemini Notebook, que ignora o robots.txt, e enfrenta quem quer cobrar pelo acesso de crawlers.

O que acompanhar daqui para a frente

CenárioO que mudaImpacto para o mercado
Google emenda a queixa e o caso avançaNova rodada judicial sobre copyright de SERPIncerteza prolongada para fornecedores de dados
Google desiste ou perde de novoPrecedente favorável à raspagem de dados públicosFerramentas de SEO seguem operando normalmente
Acordo entre as partesPossível licenciamento de dados de SERPCusto de dados pode subir e ser repassado
Cenários possíveis após a decisão | Imagem: Analytikos

Para o gestor de marketing, a recomendação prática é de sobriedade: não há motivo para trocar de stack por causa do processo, mas vale mapear quais dos seus relatórios dependem de dados raspados de SERP e acompanhar os desdobramentos. Se o custo desses dados subir, prioridades de medição precisarão ser revistas, e relatórios oficiais, como os do Search Console para AI Overviews e AI Mode, ganham ainda mais peso no seu arsenal.

Há ainda um desdobramento que interessa a quem produz conteúdo: se os tribunais firmarem que dados exibidos publicamente em uma SERP podem ser raspados e revendidos, o mesmo raciocínio tende a ser invocado por empresas de IA para justificar a coleta de conteúdo de sites. O caso, portanto, não define apenas o futuro das ferramentas de SEO, mas ajuda a desenhar as fronteiras do uso de dados públicos na web, discussão que a era dos agentes só vai intensificar.

O caso SerpApi é mais um capítulo da disputa que define quem pode usar os dados de quem na era da IA. O Google cobra dos outros o que os publishers cobram dele, e a Justiça, por enquanto, não deu razão definitiva a ninguém.

Perguntas frequentes

O que a Justiça decidiu no caso Google contra SerpApi?

A juíza federal Yvonne Gonzalez Rogers aceitou o pedido de arquivamento da SerpApi e derrubou as alegações-chave de DMCA do Google, incluindo as ligadas ao sistema SearchGuard. O Google tem 21 dias para emendar a queixa.

O caso está encerrado?

Não. O arquivamento vale para as alegações apresentadas até aqui. O Google pode emendar a queixa se demonstrar autorização dos detentores de copyright do conteúdo exibido nas SERPs, o que o tribunal considerou não comprovado.

Raspagem de SERP é ilegal?

A decisão não legalizou nem proibiu a prática, que segue em zona cinzenta jurídica nos EUA. O resultado, porém, enfraquece a tese de que raspar resultados de busca viola automaticamente o DMCA.

Minhas ferramentas de SEO podem parar de funcionar?

Não há impacto imediato. A decisão preserva o cenário atual, em que ferramentas de monitoramento de posições e de AI Overviews operam com dados raspados. Vale apenas acompanhar os próximos capítulos do caso.

Por que o Google processou a SerpApi?

O Google alegou que a SerpApi contorna suas proteções antirrobôs e viola direitos autorais ao raspar e revender dados das páginas de resultados, que alimentam ferramentas de SEO e de inteligência de mercado no mundo todo.

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