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AI Mode mostra o mesmo produto 21,6% mais caro

NAVEGAÇÃO RÁPIDA

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Existe uma crença confortável no e-commerce brasileiro: o AI Mode é a busca de sempre, só que com um resumo em cima. Se o seu produto ranqueia no carrossel orgânico, ele aparece lá também. E como o Google sempre premiou o preço mais baixo, quem briga por centavos continua na frente.

Um estudo publicado pela Productrise em setembro derruba as três premissas de uma vez. Rodando as mesmas buscas de produto nas duas superfícies, no mesmo dia e no mesmo momento, a empresa encontrou o mesmo produto custando em média 21,6% mais caro no AI Mode.

E, pior para quem planeja feed: das duas vitrines, quase nada é a mesma vitrine.

A metodologia, porque aqui ela importa

A Productrise rastreou mais de 2 milhões de anúncios de produto em mais de 100 mil SERPs e respostas de AI Mode, ao longo de 23 dias, entre 9 e 31 de agosto de 2026, nos Estados Unidos e no Reino Unido. Do lado da busca tradicional, a análise ficou restrita ao carrossel de produtos populares. Do lado do AI Mode, foram usados todos os cards de produto rastreados, conforme descreve a metodologia publicada no estudo original.

O pareamento usou o identificador estável de produto do Google, para a mesma consulta no mesmo dia. Isso é o que separa esse levantamento de uma impressão anedótica: não se trata de comparar produtos parecidos, e sim o mesmo item nas duas superfícies. O Search Engine Journal e o PPC Land repercutiram os números na mesma semana.

Os números que mudam o planejamento

O que foi medidoBusca tradicionalAI Mode
Produtos exibidos por busca (média)27,83,9
Preço mediano do produto listadoUS$ 100US$ 149
Produtos que aparecem nas duas superfícies1,28% (média de 0,94 produto por busca)
Produto pareado: diferença média de preçoAI Mode 21,6% mais caro
Vendedor principal diferente no produto pareado49,6% das vezes
Quando os preços divergem, AI Mode é o mais caro68,4% dos casos
Comparativo entre as duas superfícies na mesma consulta e no mesmo dia. Fonte: Productrise (agosto de 2026). Imagem: Analytikos
Comparativo mostrando 27,8 produtos na busca tradicional contra 3,9 no AI Mode, com apenas 0,94 em comum e preço 21,6% maior
Menos vitrine, menos sobreposição e preço maior: o AI Mode seleciona por outro critério. Imagem: Analytikos

Cuidado para não misturar o 21,6% com o 49%

Esse é o ponto em que a maioria das repercussões escorrega, e vale registrar com clareza porque os dois números respondem perguntas diferentes.

Os 21,6% são uma comparação exata: mesmo produto, mesma consulta, mesmo dia, oferta líder contra oferta líder. Já os 49% comparam a mediana de tudo que aparece em cada lado, incluindo produtos que só existem em uma das superfícies. Ou seja, os 49% dizem que o AI Mode tende a exibir um mix de produtos mais caro, não que o mesmo item custe metade a mais.

Usar um no lugar do outro em relatório de cliente é um erro que você não vai querer explicar depois. Na prática, o 21,6% é o número para discutir competitividade de oferta, e o 49% é o número para discutir posicionamento de catálogo.

Como a diferença aparece na prática

Os pares abaixo saíram do próprio conjunto de dados do estudo. São a mesma consulta, no mesmo dia: a busca tradicional à esquerda e o AI Mode à direita, com o produto pareado destacado em verde. A Productrise autoriza a republicação dos materiais do estudo mediante crédito e link, e é com essa licença que eles aparecem aqui.

Exemplo 1: mesma posição, 26% de diferença

Resultado de busca tradicional do Google com o produto destacado na primeira posição e preço menor
Busca tradicional. Reprodução: Productrise
Resposta do AI Mode do Google com o mesmo produto cerca de 26% mais caro
AI Mode. Reprodução: Productrise

O mesmo produto ocupa a primeira posição nas duas superfícies. A diferença está no valor: cerca de 26% a mais no AI Mode. Para o comprador, nada sinaliza que houve troca de superfície, porque a consulta é carregada de uma tela para a outra sem mudança aparente.

Exemplo 2: outro vendedor, 19% a mais

Resultado de busca tradicional com o produto de um vendedor e preço menor
Busca tradicional. Reprodução: Productrise
Resposta do AI Mode com o mesmo produto de outro vendedor e 19% mais caro
AI Mode. Reprodução: Productrise

Aqui aparece o fenômeno que deveria preocupar mais o varejista do que o preço: o vendedor principal é outro. O AI Mode não reordenou a mesma oferta, escolheu uma oferta diferente para o mesmo produto. Todos os exemplos foram publicados no estudo original da Productrise.

Por que o preço mais baixo perdeu peso

Durante anos, o comportamento observado nos anúncios gratuitos foi previsível: o menor preço ganhava o melhor tratamento visual e a maior atenção. O AI Mode aparentemente não segue essa regra. Com apenas quatro produtos para exibir em vez de quase trinta, o critério deixa de ser ordenar e passa a ser escolher.

E escolher com base em quê? A leitura mais consistente é que entram no cálculo a qualidade do dado de produto, a riqueza de atributos, avaliações e menções de terceiros. É a mesma lógica que já observamos quando o Google apareceu como segundo domínio mais citado no próprio AI Mode e quando o ChatGPT Shopping passou a decidir pelo feed.

O que os dados sugerem é que o preço mais baixo pesa menos no AI Mode. E se o modelo não está condicionando visibilidade ao menor preço, isso muda quem consegue competir.

Hugo Huijer, fundador da Productrise

Existe aqui uma boa notícia pouco óbvia para o varejo brasileiro: quem não consegue vencer a corrida para o fundo no preço passa a ter uma chance real. Feed completo, dados ricos de produto e reputação viram moeda de entrada onde antes só o desconto abria a porta.

O outro lado da moeda: o vendedor trocado

O dado que deveria preocupar mais o varejista não é o preço, é o vendedor. Em 49,6% dos produtos pareados, o vendedor principal exibido no AI Mode é diferente do exibido na busca tradicional.

Isso significa que o AI Mode não está reordenando a mesma oferta: ele está escolhendo outra oferta, por critérios próprios. Você pode estar ranqueando bem no carrossel e, na mesma consulta, ver um marketplace ou um concorrente levando a recomendação da IA para o seu próprio produto.

É por isso que acompanhar apenas o relatório clássico de Shopping ficou insuficiente. Vale cruzar com os dados que o Merchant Center passou a abrir sobre a busca com IA e com o comportamento de impressões que discutimos em impressões de Shopping caem e o CTR sobe.

O que fazer no feed a partir de agora

Três movimentos práticos, em ordem de esforço:

  1. Enriqueça os atributos. Product highlights, product details, GTIN, condição, disponibilidade real e política de devolução. É o insumo que o modelo usa para ter confiança em recomendar.
  2. Monitore as duas superfícies separadamente. Posição no carrossel e presença no AI Mode são métricas distintas, com sobreposição de 1,28%. Tratar como uma coisa só esconde o problema.
  3. Verifique quem está vendendo o seu produto na resposta da IA. Se em metade dos casos o vendedor principal muda, saber quem ocupou o seu lugar é informação comercial, não curiosidade técnica.

As seis prioridades de SEO para compras com IA continuam sendo o roteiro base. O que esse estudo acrescenta é uma advertência: estar no feed não garante estar na vitrine que a IA monta.

Perguntas frequentes

O AI Mode realmente mostra produtos mais caros?

Segundo o estudo da Productrise, sim. Comparando o mesmo produto na mesma consulta e no mesmo dia, o preço da oferta líder no AI Mode foi em média 21,6% maior que na busca tradicional. Em uma comparação mais ampla de todo o mix exibido, a mediana ficou em US$ 149 contra US$ 100.

Qual a diferença entre o número de 21,6% e o de 49%?

São medidas diferentes. Os 21,6% comparam o mesmo produto nas duas superfícies, oferta líder contra oferta líder. Os 49% comparam a mediana de todos os produtos exibidos em cada lado, incluindo itens que aparecem em apenas uma delas. Não devem ser usados como sinônimos.

Meu produto ranqueia no Shopping. Isso garante presença no AI Mode?

Não. O estudo encontrou sobreposição de apenas 1,28%, o equivalente a 0,94 produto por busca. São processos de seleção diferentes, e a busca tradicional exibe em média 27,8 produtos contra 3,9 no AI Mode.

Por que o vendedor principal muda tanto?

Em 49,6% dos produtos pareados, o vendedor principal é diferente. A leitura mais provável é que o AI Mode escolhe a oferta por critérios próprios, que incluem qualidade do dado de produto, avaliações e sinais externos, e não apenas o menor preço.

O que priorizar no feed para melhorar a chance de aparecer?

Comece pelo enriquecimento de atributos: highlights, detalhes de produto, identificadores, condição, disponibilidade real e política de devolução. Depois, monitore carrossel e AI Mode como métricas separadas e acompanhe qual vendedor a IA está exibindo para os seus produtos.

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