Se o seu feed do TikTok parece cada vez mais artificial, não é impressão. Um estudo da Kapwing apontou que o TikTok mostra cerca de três vezes mais “AI slop”, o conteúdo de baixa qualidade gerado por IA, do que o YouTube. E o volume é alto o suficiente para virar problema de marca.
De acordo com a Search Engine Journal, em um teste com conta nova, 59 por cento dos vídeos da página Para Você do TikTok eram slop, contra 21 por cento no YouTube. Para quem constrói presença nessas plataformas, o dado muda o cálculo de onde e como investir.
Vale olhar os números antes de tirar conclusões.

O que o estudo mediu
A metodologia dá peso ao resultado. A Kapwing revisou manualmente mais de 10 mil vídeos do TikTok em 20 categorias e rodou um teste separado com conta nova, contando o conteúdo gerado por IA nos primeiros 500 vídeos recomendados. No TikTok, 294 dos 500 vídeos cruzaram o limiar de slop. No YouTube, o mesmo teste em Shorts encontrou 104 de 500, ou 21 por cento.
| Plataforma | Slop nos primeiros 500 videos | Proporcao |
|---|---|---|
| TikTok (Para Voce) | 294 de 500 | 59% |
| YouTube (Shorts) | 104 de 500 | 21% |
Um recorte assusta mais que a média. As categorias voltadas ao público infantil tiveram a maior concentração de slop. Segundo a Kapwing, a hashtag “cartoonkids” era quase inteiramente artificial. Já as categorias que dependem de presença diante da câmera, com gente real aparecendo, tiveram a menor incidência.
A hashtag cartoonkids era quase inteiramente composta de slop, com apenas três dos 100 vídeos que verificamos sendo feitos por humanos.
Kapwing, relatório sobre AI slop no TikTok
Por que isso é um problema de marca
Quando o feed enche de conteúdo artificial e genérico, duas coisas acontecem. A primeira é que a barra de atenção do usuário sobe: para se destacar no meio do ruído, o conteúdo humano e autêntico ganha valor. A segunda é que a confiança na plataforma pode ceder, e marca séria não quer aparecer colada em vídeo duvidoso.
@kapwing How much AI content is on TikTok? Read the full report: kapwing.com/resources/the-tiktok-ai-slop-report/ #aislop #aivideos #brainrot
♬ original sound – Kapwing
É o mesmo movimento que já observamos na busca, onde o uso da IA sobe enquanto a confiança do usuário cai. Abundância de conteúdo gerado por máquina não é o mesmo que abundância de valor, e o público percebe a diferença mais rápido do que se imagina.
Como a sua marca se posiciona nesse cenário
A resposta não é abandonar a IA, e sim usá-la com critério. IA para acelerar produção, roteiro e edição faz sentido; IA para gerar volume vazio, não. O diferencial passa a ser aquilo que a máquina não replica bem: rosto, voz, ponto de vista e a presença de pessoas reais, justamente o tipo de conteúdo que o estudo apontou como menos infestado de slop.
Na prática, isso reforça a aposta em criadores humanos e em formatos com presença diante da câmera. Foi uma direção que já vimos ganhar força quando o Threads ampliou os Live Chats e abriu espaço para marcas: interação real, ao vivo, difícil de falsificar. Em um feed dominado por slop, ser inconfundivelmente humano vira vantagem competitiva.
Perguntas frequentes
O que é AI slop?
É o conteúdo de baixa qualidade gerado por inteligência artificial, produzido em massa e sem valor real, que passou a inundar os feeds de redes sociais.
Quanto AI slop tem no TikTok?
Em um teste de conta nova da Kapwing, 59 por cento dos vídeos da página Para Você eram slop, ou 294 de 500. É cerca de três vezes a taxa do YouTube, que ficou em 21 por cento.
Quais categorias têm mais slop?
As voltadas ao público infantil tiveram a maior concentração. A hashtag cartoonkids era quase inteiramente artificial. Categorias com presença real diante da câmera tiveram a menor incidência.
Como o estudo foi feito?
A Kapwing revisou manualmente mais de 10 mil vídeos do TikTok em 20 categorias e rodou um teste com conta nova, contando o conteúdo gerado por IA nos primeiros 500 vídeos recomendados em cada plataforma.
O que a marca deve fazer diante disso?
Usar IA com critério, para acelerar produção e não para gerar volume vazio, e apostar em conteúdo humano e autêntico, com presença real diante da câmera, que se destaca no meio do ruído.



