Em 10 de outubro de 2026, a Nozzle, empresa que vende dados de SERP, publicou o estudo “Poisoned Google SERPs”. A tese central: desde setembro, o Google não apenas bloqueia rastreadores de posição. Em parte dos casos, ele responde com uma página de aparência normal, mas com resultados trocados. A Search Engine Roundtable resumiu o caso em 12 de outubro.
Para quem reporta posição a clientes, isso muda a leitura de qualquer queda recente. Uma variação no relatório pode ser falha de medição, e não perda real de visibilidade. Já mostramos o início desse cenário em Google bloqueia scrapers e o rank tracking perde dados. Agora há um número para o problema.
O que a Nozzle mediu
O estudo analisou 27,5 milhões de SERPs de clientes da Nozzle, em 49 países, com desktop, iPhone e Android. A linha de base vai de 20 de agosto a 9 de setembro. O período observado vai de 13 de setembro a 9 de outubro de 2026.
A definição importa. Uma palavra-chave tem “sites habituais”: os que estavam no top 10 em pelo menos 60% das SERPs da linha de base. Uma SERP é considerada envenenada quando menos da metade desses sites aparece em qualquer página e a maioria volta numa SERP posterior.
Com esse critério, a taxa de SERPs envenenadas subiu de 0,17% para 8,0%. Entre 27 e 29 de setembro, chegou perto de um quarto das SERPs. Nas envenenadas, os resultados orgânicos mantinham 20,7% dos sites da SERP anterior, contra 88,5% no normal. O site do próprio projeto monitorado saiu do top 10 em 58,6% delas, contra 2,7%.
Dois dados reduzem o alarme. Em 77,9% dos casos, os sites habituais voltaram em até três dias. Cerca de 80% dos episódios duraram uma única SERP. Na distribuição de ganhos, o Reddit foi o que mais ganhou presença no top 10 das SERPs envenenadas, enquanto YouTube, Yelp e MapQuest perderam.
A página parece normal. Os resultados, não.
Nozzle, estudo “Poisoned Google SERPs”
Escopo e limites do dado
A Nozzle vende dados de SERP, portanto tem interesse comercial no tema. A amostra reúne clientes da empresa em 49 países, sem recorte para o Brasil. A explicação de que o Google reage à raspagem feita por IA é apresentada pelo autor como hipótese, não como causa confirmada. Segundo a Search Engine Roundtable, o texto não traz declaração oficial do Google.
O que outras ferramentas relataram
O quadro não depende de uma fonte só. Há relatos de fornecedores com métodos e interesses próprios, que convém ler com essa ressalva.
| Fonte | O que relata | Como ler |
|---|---|---|
| relato da Morningscore | Resultados truncados desde 24 de setembro. No pico, perto de 60% das buscas vieram incompletas. 74% dos sites sumidos voltaram ao top 20 em três dias. | Dado do próprio fornecedor, sobre erro de sua coleta. |
| nota publicada pela Sistrix em 7 de outubro | Resultados divergentes desde setembro. Atualizações sob demanda desativadas. Top 10 e Índice de Visibilidade seguem confiáveis. | Posição oficial da ferramenta, ainda sem causa confirmada pelo Google. |
| texto da Advanced Web Ranking de 18 de setembro | Diferenças entre ranking rastreado e navegador crescem após a atualização de maio de 2026. | Conteúdo de fornecedor, com métodos autodeclarados. |
Como validar uma queda antes de agir
A interpretação a seguir é da Analytikos, não dos estudos citados. O objetivo é separar falha de medição de perda real antes de mexer em conteúdo ou orçamento.
A Sistrix recomenda olhar o top 10 e a data da última atualização de cada palavra. O Search Console segue como referência de tendência, mas sem dados de cliques e consultas de AI Overviews e AI Mode, como observa a Search Engine Roundtable. Para separar falha de medição de efeito de atualização, compare a data da queda com o que ocorreu no Spam Update de setembro. Para entender prazos de rastreamento antes de concluir que uma página caiu, veja quanto tempo o Google leva para rastrear e indexar.
Também vale rever como o relatório é desenhado. Posição média diária de uma palavra isolada é o dado mais sujeito a esse tipo de ruído. Faixas, tendências e distribuição por top N resistem melhor, e a mesma lógica vale para indicadores de visibilidade em buscas com IA.
Conclusão
O estudo da Nozzle não prova por que o Google age assim, mas mede um efeito: em setembro, uma fração relevante das SERPs rastreadas chegou com resultados trocados. Enquanto isso não se estabiliza, trate cada queda isolada como hipótese a verificar, não como fato.
Perguntas frequentes
O que é uma SERP envenenada?
No estudo da Nozzle, é uma página de resultados em que menos da metade dos sites habituais da palavra aparece e a maioria volta numa SERP posterior. A página parece normal, mas o conteúdo está trocado.
O Google confirmou que envenena resultados para rastreadores?
Não nas fontes consultadas. A causa apontada pela Nozzle, resposta à raspagem por IA, é uma hipótese do autor, e a Search Engine Roundtable não cita declaração oficial do Google.
Minha posição real no Google caiu?
Pode ter caído ou não. Compare cliques e impressões no Search Console, faça um teste manual em janela anônima e veja se várias palavras caíram e voltaram no mesmo dia, o que sugere erro de coleta.
Os dados valem para o Brasil?
O estudo reúne clientes da Nozzle em 49 países, sem recorte brasileiro. Os relatos de outras ferramentas também são globais. Valide no seu próprio conjunto de palavras.



