A forma como as pessoas descobrem marcas mudou de endereço. Cada vez mais, a primeira resposta não vem de uma lista de links azuis, e sim de um resumo gerado por inteligência artificial no ChatGPT, no Gemini ou nos AI Overviews do Google. Nesse novo balcão de descoberta, aparecer ou sumir deixou de ser um detalhe técnico e virou uma questão comercial.
O incômodo é que quase ninguém sabe medir isso. O novo Índice de Visibilidade em IA de 2026 da Semrush analisou 126 milhões de prompts de busca com IA e trouxe um dado desconfortável: 45% dos líderes de marketing não conseguem medir com precisão se a própria marca aparece nas respostas geradas por IA, e apenas 9% têm ferramentas para acompanhar todas as métricas relevantes.
A lógica é simples: quem não mede, não gerencia. A seguir, explicamos o que o estudo encontrou, por que essa lacuna de medição é perigosa e o que a sua equipe pode fazer agora para ganhar presença nas respostas de IA.
O que o Índice de Visibilidade em IA da Semrush mediu
A Semrush ampliou de forma drástica o seu levantamento. Segundo o comunicado oficial da empresa, a edição de 2026 saltou de 2.500 prompts na estreia, em setembro de 2025, para 126 milhões de prompts analisados entre janeiro e abril de 2026. Os prompts são dos Estados Unidos, então os números não retratam o mercado brasileiro e o recorte já tem alguns meses. O estudo observa como as marcas aparecem em quatro ambientes distintos: ChatGPT, Gemini, o AI Mode e os AI Overviews do Google.
Um ponto revelador está em como cada motor cita fontes. De acordo com o índice, o ChatGPT referencia em média 15 fontes por resposta, enquanto o Gemini cita cerca de 3. Na prática, a mesma pergunta pode abrir 15 vagas de visibilidade em um lugar e apenas 3 em outro, o que muda por completo a sua chance de ser mencionado.

A lacuna que preocupa: quase metade não mede a marca na IA
A parte mais dura do relatório não está nos algoritmos, e sim dentro das empresas. Se 45% dos líderes admitem não medir a presença da marca na IA e só 9% têm instrumentação completa, a maioria decide no escuro, investindo em conteúdo e em branding sem saber se isso se converte em citações nas respostas que o consumidor de fato lê. Vale uma ressalva: o comunicado da Semrush atribui os 45% e os 9% a “líderes de marketing”, sem informar tamanho da amostra nem método, então o dado serve como indício, não como retrato exato do mercado.
| Motor de IA | Fontes citadas (média) | O que isso significa |
|---|---|---|
| ChatGPT | ~15 por resposta | Mais vagas de citação por pergunta |
| Gemini | ~3 por resposta | Disputa mais concentrada e seletiva |
| Google AI Mode | Resposta conversacional | Contexto acumulado ao longo do diálogo |
| AI Overviews | Destaque no topo da SERP | Alta exposição antes dos links orgânicos |
Poucas marcas vencem em todos os lugares
A concentração é brutal. De acordo com a análise divulgada pela PPC Land, apenas 36 marcas ficaram no top 100 de todas as plataformas em todos os meses da janela estudada, entre mais de 1.200 analisadas. As demais não cumpriram esse critério, mas isso não significa que tenham sumido das respostas: o ranking considera só as 30 maiores marcas por plataforma, setor e mês. O índice ainda define parâmetros para 22 setores, o que permite comparar a sua presença com a média do mercado.
Esse padrão conversa com um achado que já discutimos por aqui: a IA tende a preferir marcas conhecidas, reforçando quem já tem autoridade e deixando as demais na sombra.
O comunicado traz ainda um dado que reforça a importância de medir: entre as organizações que integram SEO e visibilidade em IA, 81% relataram mais tráfego ou leads vindos de plataformas de IA, contra 36% das que gerenciam as duas frentes separadamente.
Para acompanhar a presença da marca, veja também nosso guia sobre como medir a visibilidade da marca na busca com IA e os estudos sobre 9 milhões de respostas de IA e AI Overviews em buscas de marca.
Como medir e ganhar presença nas respostas de IA
A boa notícia é que dá para sair do escuro com passos concretos. Comece pela medição e avance para a construção de autoridade:
- Meça o tráfego que a IA já envia: configure o GA4 para separar visitas de ChatGPT, Claude e Gemini, como mostramos no guia de como medir o tráfego de IA no GA4.
- Construa autoridade tópica: cobrir um assunto com profundidade aumenta a chance de citação, tese central do estudo sobre autoridade tópica na busca com IA.
- Facilite o fatiamento do conteúdo: a IA quebra páginas em trechos antes de citar, por isso vale entender o chunking de conteúdo.
- Fortaleça sinais de marca e de entidade: presença consistente em fontes confiáveis ajuda o Google, que é o segundo domínio mais citado no AI Mode, a reconhecer o seu negócio.
Visibilidade em IA não é sorte, é método. Medir a presença hoje, mesmo que de forma imperfeita, coloca a sua marca à frente dos 45% que ainda navegam sem instrumentos.
Perguntas frequentes
O que é o Índice de Visibilidade em IA da Semrush?
É um estudo que mede como as marcas aparecem em respostas geradas por IA. A edição de 2026 analisou 126 milhões de prompts no ChatGPT, Gemini, AI Mode e AI Overviews entre janeiro e abril de 2026.
Por que 45% das marcas não medem a presença na IA?
Faltam ferramentas maduras e padrões de medição. A busca com IA é recente e a maioria das empresas ainda não adaptou seus painéis para acompanhar citações e menções em respostas geradas.
Qual motor de IA cita mais fontes?
Segundo o estudo, o ChatGPT referencia em média 15 fontes por resposta, enquanto o Gemini cita cerca de 3. Isso muda a estratégia de conteúdo para cada plataforma.
Como começar a medir a visibilidade em IA?
Comece separando o tráfego de IA no GA4, monitore menções da marca em respostas de ChatGPT e Gemini e acompanhe a evolução ao longo do tempo, mesmo com ferramentas simples.
GEO substitui o SEO?
Não. O GEO complementa o SEO. A autoridade construída para a busca tradicional continua valendo e ajuda a marca a ser citada também pelos motores de IA.



