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Lupa sobre um alvo, representando a busca por tráfego de IA escondido no Direct

Tráfego de IA escondido no Direct? O que o estudo de Indig mostra

NAVEGAÇÃO RÁPIDA

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Circula entre times de marketing a ideia de que uma parte do tráfego vindo de IA chega ao site como Direct no GA4. Se fosse verdade, bastaria olhar o canal Direct para enxergar o efeito das respostas do ChatGPT, do Gemini e do AI Mode. Kevin Indig testou essa hipótese em 12 propriedades GA4 e publicou o resultado no Growth Memo.

A conclusão é incômoda: com os dados disponíveis, não foi possível detectar esse tráfego de forma confiável. Neste texto, mostramos o que o estudo fez, por que o canal Direct engana, onde as correlações falharam e o que medir no lugar.

O que o estudo testou e em que base

A pergunta do Growth Memo é direta: parte do tráfego de IA está escondida no Direct? O raciocínio por trás é plausível. Quem vê a marca citada em uma resposta de IA pode digitar o endereço depois, ou abrir o site em outra aba, e o GA4 registra a visita sem origem.

A primeira análise usou 12 propriedades GA4, com comparação entre agosto e setembro de 2026. O autor excluiu homepages, raízes localizadas, landing pages desconhecidas e páginas que naturalmente têm muito Direct, como preços, login, demos e pagamento. A amostra tem viés para B2B e quase todos os sites miram o mercado dos EUA, o que limita a leitura para o Brasil.

A segunda análise cruzou a visibilidade em IA com o Direct e com a busca de marca em 4 marcas, em 632 testes, com defasagens de 0 a 6 semanas entre uma série e outra.

Por que o canal Direct engana: bots

À primeira vista, o resultado parecia confirmar a hipótese: 8 dos 12 sites cresceram em Direct, alguns acima de 100%. O problema é que grande parte desse crescimento era tráfego de bots. Em um dos sites, havia 409.000 sessões Direct, e apenas 198 foram engajadas.

Para ver como o Direct se descola do engajamento, o Growth Memo trouxe uma tabela por site, que reproduzimos fielmente abaixo. O Site 1, por exemplo, quase quadruplicou as sessões Direct em um mês, enquanto a taxa de engajamento caiu de 24,6% para 9,2%.

Direct versus tráfego engajado em páginas de cauda longa

12 sites, agosto e setembro de 2026: sessões Direct e taxa de engajamento

SiteSessões DirectTaxa de engajamento
AgostoSetembroVariaçãoAgostoSetembroΔ (p.p.)
Site 1904.5533.055.756+237,8%24,6%9,2%−15,4
Site 215.51733.252+114,3%1,4%4,5%+3,1
Site 345.65964.559+41,4%92,7%96,7%+4,0
Site 432.20641.830+29,9%45,9%29,7%−16,2
Site 55.5306.477+17,1%57,8%57,0%−0,8
Site 6925.2371.041.371+12,6%51,2%43,0%−8,2
Site 72.227.9722.303.163+3,4%45,9%35,5%−10,4
Site 8821.922836.928+1,8%87,9%87,3%−0,6
Site 939.64236.453−8,0%31,5%35,3%+3,8
Site 10560.745483.874−13,7%24,0%18,5%−5,5
Site 1156.51648.256−14,6%69,2%66,2%−3,0
Site 125.1744.015−22,4%62,8%65,0%+2,2

Δ do engajamento = setembro menos agosto, em pontos percentuais (p.p.). Exclui homepages, raízes de homepage localizadas e landing pages desconhecidas.

Tabela: Analytikos, refeita a partir do gráfico "Comparing direct to engaged traffic on longtail pages". Fonte: Growth Memo (Kevin Indig)

Depois de filtrar, o quadro mudou. De janeiro a setembro, o Direct total subiu 140,9%, mas o Direct engajado ficou em −1,0% na contagem mensal (ou +2,3% no volume médio diário). Os sinais identificáveis de IA representaram cerca de 0,003% do tráfego Direct, em média. Os números abaixo resumem a diferença entre o que o relatório mostra e o que pessoas de fato fizeram.

Gráfico: Analytikos, com dados do Growth Memo (Kevin Indig). Amostra: 12 propriedades GA4, majoritariamente B2B e EUA.

A leitura prática é simples: antes de atribuir qualquer variação do Direct à IA, separe as sessões engajadas das demais. Sem esse filtro, o gráfico mede principalmente robôs.

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Visibilidade em IA e Direct: a correlação que não resistiu

Na segunda análise, dois sites mostraram números que, sozinhos, pareciam bons. No primeiro, a participação de voz em IA (AI Share of Voice) teve correlação de 0,72 com o Direct, com pico em uma defasagem de 3 semanas, e de 0,59 com impressões de busca de marca. No segundo, a taxa de menção no ChatGPT teve correlação de 0,47 com o Direct.

O gráfico abaixo, do próprio estudo, mostra por que a hipótese parecia boa: as barras de visibilidade em IA superam as de controle.

Gráfico: Analytikos, refeito a partir de "AI mentions look like they lead direct traffic". Fonte: Growth Memo (Kevin Indig)

O autor então aplicou um teste de controle: deslocou as séries de forma aleatória. No primeiro site, 3 de 19 versões desalinhadas igualaram ou superaram a correlação real; no segundo, 2 de 38. Ao dividir o período em dois, a relação do primeiro site se concentrou na segunda metade, e a do segundo, na primeira. Havia ainda poucas observações: 17 e 35 semanas utilizáveis nas defasagens escolhidas.

Gráfico: Analytikos, refeito a partir de "Wrong dates could match the real correlations". Fonte: Growth Memo (Kevin Indig)

Interpretação da Analytikos: correlação com poucas semanas e muitas defasagens testadas é terreno fértil para falso positivo. Se o seu relatório mostra uma ligação entre visibilidade em IA e Direct, repita o teste com deslocamentos aleatórios antes de levar a conclusão para a diretoria.

E o caso da Ramp, que estimou 30% a 40%?

O estudo reconhece um contraponto. Eric Wiu, da Ramp, estimou que entre 30% e 40% do Direct da empresa veio de motores de resposta, em entrevista ao podcast da Siege Media. A diferença está no método: filtros de URLs longas, exclusão de padrões de e-mail, comparação com a busca orgânica e, principalmente, a autodeclaração dos usuários.

Ou seja, o resultado da Ramp não veio do canal Direct sozinho. Veio de perguntar ao cliente como ele chegou. É o mesmo princípio que o Growth Memo defende ao tratar da atribuição na busca com IA: a atribuição por clique explica uma fatia cada vez menor da demanda. Na frase de George Bonaci, da Ramp, citada nesse texto:

Todo modelo de atribuição está errado.

George Bonaci, da Ramp, em Growth Memo

Como medir sem depender do Direct

O Growth Memo recomenda triangular três fontes: presença da marca nas respostas de IA, descoberta relatada pelo cliente e resultado comercial. A tabela abaixo traduz o que observar em cada sinal e a ação correspondente. Triangular fortalece a evidência, mas não prova causalidade.

SinalComo lerAção
Direct total sobePode ser bot. No estudo, um site tinha 409.000 sessões Direct e 198 engajadasFiltrar por sessões engajadas e excluir páginas com Direct naturalmente alto
Visibilidade em IA correlaciona com DirectPode ser coincidência: séries deslocadas ao acaso deram valores iguais ou maioresRepetir o teste com deslocamentos aleatórios e dividir o período
Cliente diz que viu a marca no ChatGPTEvidência direta de descoberta, com a ferramenta citadaIncluir o campo "como nos conheceu" no formulário e no CRM
Referral ou UTM de IA no GA4Piso mensurável: parte dos links chega sem origemTratar como mínimo, não como total
Tabela: Analytikos, com base no estudo do Growth Memo

Esse desenho conversa com o que já publicamos sobre medição. A perda de UTM e referrer nos links do ChatGPT, explicada em ChatGPT sem UTM e tráfego direto no GA4, é um dos motivos de o Direct parecer inflado. Já o volume real de visitas está em tráfego de IA entre 0,6% e 2,6% do orgânico, com dados de GA4 de dois outros estudos, que o Search Engine Roundtable reuniu na mesma semana.

Passo a passo no GA4 para a sua base

Imagem: Analytikos

Se a sua operação ainda não mede a marca nas respostas de IA, comece por uma auditoria de GEO e, para o lado do resultado, avalie experimentos como o Conversion Lift na Busca e no PMax. A base de configuração está em como configurar o GA4 do zero.

Perguntas frequentes

O tráfego de IA aparece como Direct no GA4?

Parte dele pode aparecer, porque alguns links de assistentes chegam sem referrer ou UTM. Mas o estudo de Kevin Indig, com 12 propriedades, não conseguiu isolar esse tráfego de forma confiável no Direct.

Por que o Direct de alguns sites cresceu mais de 100%?

Em boa parte, por bots. Em um dos sites analisados, havia 409.000 sessões Direct, e só 198 foram engajadas. Depois do filtro, o Direct engajado ficou praticamente estável.

Existe correlação entre visibilidade em IA e tráfego direto?

O estudo encontrou correlações de 0,72 e 0,47 em dois sites, mas elas não passaram no teste de controle com séries deslocadas ao acaso. Um efeito pode existir, mas não foi isolado.

Como medir a influência da IA então?

Combine presença da marca nas respostas, autodeclaração do cliente (como nos conheceu) e resultados comerciais, como leads qualificados e receita. A triangulação não prova causalidade, mas melhora a evidência.

Esses dados valem para o Brasil?

A amostra do estudo é majoritariamente B2B e dos EUA. Use como referência de método, não como benchmark para o seu mercado, e valide com os seus próprios dados do GA4.

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