Na noite de sexta-feira, quando quase ninguém do time de SEO ainda estava olhando o feed, o Google começou a testar um botão novo no Discover. Ele se chama “Dive deeper” e não leva ao site de ninguém. Leva a uma camada do próprio Google, com um resumo do assunto gerado por inteligência artificial e, abaixo dele, os links para quem produziu a reportagem original.
Quem depende do Discover sabe o que está em jogo. O feed é uma das poucas fontes de tráfego que ainda entrega picos de visitas sem depender de posição em uma página de resultados. Qualquer camada nova entre o card e o clique muda a conta.
O teste foi anunciado por Robby Stein, vice-presidente de produto da Busca do Google, e noticiado pelo Search Engine Journal e pelo Search Engine Roundtable no mesmo dia. Por enquanto, o experimento roda apenas em cards de vídeo. Vale entender o desenho agora, antes de ele virar padrão.
O que o Google está testando no Discover
O card no feed continua igual ao que você já conhece: uma peça de conteúdo, no caso um vídeo, com um resumo curto logo abaixo. A novidade é o aviso de que esse resumo foi gerado por IA e pode conter erros, seguido do botão “Dive deeper”.
Ao tocar no botão, o leitor não sai do Google. Ele abre uma tela com o mesmo vídeo, um resumo mais longo e uma fileira de cards de fontes. Uma terceira tela, chamada “Explore more stories”, agrupa subtemas com resumos curtos, cada um seguido dos links de cobertura correspondentes.
Ao tocar em “Dive deeper”, você verá uma visão geral curta do tópico com links destacados para matérias relacionadas, reações da comunidade e reportagem original. Vamos testar essa experiência em vídeos para começar, e experimentar múltiplos formatos nas próximas semanas (exemplo abaixo), conforme iteramos para aprender o que funciona melhor.
Robby Stein, vice-presidente de produto da Busca do Google

O Google não informou em quais países ou idiomas o teste roda, nem quantas pessoas veem o botão. Também não disse se o experimento passa pelo Search Labs.
Onde o clique some e onde ele sobrevive

A leitura pessimista é imediata e Barry Schwartz, do Search Engine Roundtable, foi direto ao dizer que o recurso deve reduzir ainda mais o tráfego que o Google envia a publishers, porque o conteúdo gerado dá contexto suficiente e tira a razão do clique.
A leitura otimista existe e também tem base. O link para o site continua lá, e agora em dois lugares: nos cards de fonte da segunda tela e nos blocos de subtema da terceira. O leitor que chega até ali já demonstrou interesse real no assunto, o que costuma render sessão mais longa do que o clique de curiosidade no feed.
O problema é o custo dessa qualificação. Cada etapa antes do link derruba o volume, e essa é exatamente a dinâmica que já vimos em outras superfícies. Quando os AI Overviews passaram a responder 97% das perguntas do People Also Ask, o efeito não foi eliminar o clique, foi concentrá-lo em quem realmente precisava de mais.
O que o Search Console mostra e o que ele esconde
O Google já oferece um relatório de desempenho de IA generativa para o Discover dentro do Search Console, liberado para sites no mundo todo em 31 de agosto. Ele agrupa dados por página, país e data, e a impressão é a única métrica descrita na documentação oficial.
O detalhe que importa para o dia a dia: o relatório não separa os dados por recurso. Se as impressões vindas de uma visão geral do “Dive deeper” forem contadas, elas entram no mesmo balde das outras experiências de IA no Discover. Você verá o número subir ou descer sem conseguir dizer o motivo.
Isso reforça um hábito que já recomendamos por aqui: tratar o Search Console como fonte de tendência e não como resposta final. O guia das Platform Properties ajuda a organizar as propriedades antes de comparar séries históricas.
O contexto maior: o Google está reorganizando a conta com publishers
O teste não acontece no vácuo. Na mesma semana, o Google ampliou o piloto que paga sites quando o conteúdo deles contribui de forma significativa para uma resposta de IA. E o próprio anúncio dos relatórios de IA generativa no Search Central deixou claro que a empresa quer dar visibilidade a essas superfícies sem abrir a caixa preta.
A leitura combinada é simples. O Google está construindo camadas de resumo em todas as superfícies que controla, medindo essas camadas com métricas parciais e, em paralelo, testando uma forma de compensar quem alimenta o sistema. Os três movimentos são partes do mesmo ajuste.
O que fazer agora, sem mudar tudo
Nenhuma dessas mudanças pede reforma de estratégia. Elas pedem instrumentação e paciência para separar sinal de ruído.
| Sinal | O que ele indica | Ação recomendada |
|---|---|---|
| Impressões de IA no Discover sobem e cliques ficam parados | Sua página está sendo usada como fonte dentro da camada de resumo | Reforce dado próprio e elemento que o resumo não consegue reproduzir, como tabela, cálculo ou apuração exclusiva |
| Cliques do Discover caem sem queda de impressão | O leitor está se satisfazendo antes do link | Revise título e primeira dobra da página para entregar algo que o resumo não entrega |
| Vídeo da marca aparece no feed com resumo de IA | Você está na fatia em teste | Acompanhe o relatório de IA generativa por página e registre a data, porque não haverá quebra por recurso |
| Nenhuma variação relevante | Seu perfil de conteúdo ainda não entrou no experimento | Mantenha a rotina e reavalie quando o teste sair dos vídeos |
Vale também olhar para o outro lado da mesma moeda. A queda geral de performance de conteúdo ao menor nível em 12 anos mostra que o problema não é um recurso isolado, e sim o acúmulo de camadas entre a intenção e a visita. E a reformulação do Perfil de Busca confirma que o Google segue testando formatos de distribuição em ritmo alto.
Stein avisou que o Google vai experimentar formatos diferentes nas próximas semanas. Ou seja, o desenho que você vê hoje provavelmente não é o que vai valer no mês que vem. O trabalho agora é medir com atenção e evitar decisão grande com base em duas semanas de dados.
Perguntas frequentes
O que é o botão Dive deeper no Google Discover?
É um botão em teste que abre uma visão geral curta do assunto dentro do próprio Google, com resumo gerado por IA, cards de fontes e links para reportagens relacionadas. Ele não leva direto ao site do publisher.
O Dive deeper já está disponível no Brasil?
O Google não informou países nem idiomas do teste. O experimento começou em cards de vídeo e roda com um grupo limitado de usuários, sem previsão de expansão divulgada.
O recurso vai reduzir o tráfego vindo do Discover?
Ainda não há dado público que meça o efeito. A camada extra de resumo tende a reduzir volume de cliques, mas o link para o site continua presente em duas telas, o que pode qualificar quem chega.
Como acompanhar o impacto no Search Console?
Use o relatório de desempenho de IA generativa do Discover, que traz impressões por página, país e data. Ele não separa os números por recurso, então registre datas de mudança para comparar depois.
Preciso mudar minha estratégia de conteúdo por causa disso?
Não neste momento. O caminho mais seguro é instrumentar a medição, registrar a linha de base e reforçar elementos que um resumo automático não reproduz, como dado próprio, cálculo e apuração exclusiva.



